Pedagogia

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O Que É Filosofia
José Luiz de Paiva Bello
Vitória, 1994.
Como pedagogo penso estar contribuindo para a transcendência do pensar pedagógico, no sentido de se criar uma utopia,
enquanto produto do imaginário racional e lógico. Talvez este ensaio caracterize uma primeira etapa que, como sugeriu Ernest
Bloch, é a fase do "sonho acordado":
"O 'sonho acordado'manifesta uma verdadeira fome psíquica pela qual o homem imagina planos futuros e outras
situações em que supere os problemas, as dificuldades e as obrigações de um hoje onipresente. Assim, os sonhos
acordados nos dão uma primeira forma tosca, vaga, talvez ilusória, do que será, numa fase mais elaborada, a utopia.
Nos sonhos, unem-se pela primeira vez o que será decisivo para aconstituição de uma consciência antecipadora: a
consciência da fome e o possível imaginário; os desejos e as imagens" (Furter, 1974: 83).
O problema da democratização da educação não está restrito na questão da prática educacional, pura e simplesmente, mas no
enfoque dado pelos educadores a esta prática. Sendo assim, procuro trazer as questões pedagógicas para o âmbito da sala deaula e da didática ali empregada. E assim caracterizar a sala de aula como o foco irradiador da escola democrática, onde os
professores terão papel fundamental nesta questão. Sabemos que a educação, de uma maneira geral, não é uma prática que
pode ser caracterizada como democrática. A elite dominante determina as regras do jogo, as quais sabemos de antemão quem
serão osvencedores e quais os perdedores. A prática educacional é um jogo de cartas marcadas, uma vez que não interessa à
burguesia a ascensão das classes populares aos níveis de poder decisório. Paulo Freire denuncia esta prática, dizendo que
"geralmente, as elites acusam o povo de fraqueza ou incapacidade e por isso suas soluções não dão resultado" (Freire, 1979:
36). Qual o papel então doprofessor, que encare sua profissão com seriedade, num processo que busque a revolução? Um
primeiro passo é o assumir um papel reflexivo diante do que se é observável em todo processo, sem se deixar influenciar por
pensamentos e análises de pessoas que, muitas vezes, não tem relações históricas e teóricas sobre a prática educativa. Nos
últimos tempos a filosofia da educação foiinvadida por profissionais que não tiveram a formação pedagógica e que buscam
soluções fora do âmbito das questões eminentemente pedagógicas. Neste sentido Adriana de Oliveira Lima denuncia que a
educação tornou-se "uma terra de ninguém", onde se permitiu uma invasão sociológica, desviando a verdadeira discussão dos
aspectos pedagógicos. Isto faz com que as discussões na educaçãotenham uma característica de "eterno retorno", o "nada (o
'sem sentido') eterno" (Nietzsche apud Civita, 1983: 383). Assim discute-se por vários anos a questão da "reprodução" em
Bourdieu e Passeron, Baudelot e Establet e agora... a discussão da Escola Nova, o que já era discutido na década de 30 (!!)
(Lima, 1991: 125). É evidente que a pedagogia não pode prescindir de ciênciascorrelatas, mas sua abordagem fundamental
não pode escapar ao cerne das questões pedagógicas, sob pena do discurso se tornar inútil, e muitas vezes falso, ao processo de
enriquecimento científico pedagógico. Aborda-se hoje, por exemplo, questões como a nova pedagogia em confronto à
pedagogia tradicional. Teóricos como Piaget, Vygostky, Freud, Freire, etc., mostraram-nos que adiferença fundamental entre
uma e outra está em que as novas descobertas vieram contribuir com a mudança de atitudes em relação ao aluno mas não
alteraram a prática pedagógica em si. Assim, não se pode falar em desenvolvimento da inteligência "pré-piagetianamente", ou
falar de ambientação de sala de aula "pré-montessorianamente", já que este conhecimento seria prontamente utilizável....
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