Papias, vida e obra

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Anderjoce Pereira de Araujo

Papias vida e obra

Monts Claros - 2011
Anderjoce Pereira de Araujo

Papias vida e obra

Trabalho apresentado para avaliação
na disciplina de introdução ao novo testamento
do curso de Teologia P-70, ministrado pelo
professor Joaquim Junior.

Montes Claros - 2011
Anderjoce Pereira de Araujo

Criação dos dias

Aprovado em ____/____/____Nota____________________

Professor examinador:
________________________________________________
Resumo

DIAS LITERAIS OU PERÍODOS DE TEMPO FIGURADOS?
Gerhard F. Hasel.

I. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas o destaque crescente que tem sido dado ao criacionismo, à “ciência criacionista” (1), à “ciência das origens” (2), e à “ciência teísta” (3), tem criado um clima em que perguntas antigas têmsurgido com enfoques específicos e nova sofisticação. Uma delas refere-se ao significado que se dá ao termo “dia” nos primeiros capítulos de Gênesis.

A natureza do relato da criação com os seus seis “dias” (Gênesis 1:5-31) seguidos do “sétimo dia” (Gênesis 2:2-3) é de interesse especial, porque costumeiramente esse período é entendido como significando o curto lapso de uma semana literal. Com basena moderna teoria da evolução natural, tem sido questionado esse curto intervalo de tempo apresentado no relato bíblico da criação. Há um contraste entre o curto período de tempo do relato da criação e as longas eras exigidas pela evolução natural.

Este artigo tentará desincumbir-se de várias tarefas interrelacionadas:

1. Prover algumas observações metodológicas, com um breve histórico dainterpretação bíblica pertinente;

2. Citar opiniões representativas recentemente publicadas sugerindo que os “dias” da criação constituem longos períodos de tempo, ou épocas, e não dias literais de vinte e quatro horas;

3. Apresentar os dados encontrados em Gênesis 1 no seu relacionamento com outros dados do Velho Testamento; e

4. Aplicar na análise dos dados de Gênesis 1 a metodologiausual das pesquisas lingüísticas e semânticas, levando em conta o mais apurado conhecimento atual.

II. OBSERVAÇÕES METODOLÓGICAS E A HISTÓRIA DA INTERPRETAÇÃO

O conhecimento de certos aspectos da história da interpretação dos “dias” da criação de Gênesis 1 pode ser de utilidade dentro da perspectiva da metodologia usada para a interpretação. A informação histórica ajuda o intérprete moderno areconhecer que não é correto sugerir que sómente após a publicação de “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, em 1859, é que os “dias” da criação tivessem passado a ser considerados como períodos de tempo não literais. Houve razões extra-bíblicas anteriores que levaram alguns intérpretes a se afastar do significado literal dos “dias” da criação.

1. Algumas interpretações medievais dos “dias”da criação

Orígenes de Alexandria, um dos Pais da Igreja (* c. 185 A.D., + c. 254 A.D.), defensor e praticante do método alegórico de interpretação (4), é considerado como o primeiro a entender os “dias” da criação no sentido alegórico, e não literal (5).

Agostinho (* 354 A.D., + 430 A.D.), o mais famoso dos Pais da Igreja latinos, acompanhou a Orígenes na argumentação de que os “dias” devemser entendidos como alegóricos, e não literais (6). Entende-se que Agostinho ensinava que Deus criou o mundo num só instante imediato.

Convêm aqui algumas considerações metodológicas. Nem Agostinho nem Orígenes tinham em mente qualquer conceito evolucionista. Eles consideravam os “dias” da criação como não literais com base em algo distinto - era obrigação filosófica atribuir a Deus atividadecriadora sem qualquer relação com o tempo humano. Como os “dias” da criação se relacionam com Deus, argumentava-se que esses “dias” tinham de ser representativos de noções filosóficas associadas a Deus, tomadas nas suas respectivas perspectivas.

Na filosofia grega Deus é intemporal. Como os “dias” da criação incorporam-se à atividade divina, supunha-se que eles também deviam ser entendidos...
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