Os reflexos da actual crise financeira na dívida pública

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INSTITUTO SUPERIOR DE ECONOMIA E GESTÃO
UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA

Instituto para o Desenvolvimento e Estudos Económicos, Financeiros e
Empresariais.

PÓS-GRADUAÇÃO EM: Contabilidade Pública, Finanças Públicas e Gestão Orçamental

Gestão da Dívida Pública

Os Reflexos da Actual Crise Financeira na Dívida Pública

Docentes: Dr. Alberto Ramalheira
Dra. Maria Irene Carvalho
Aluno:Paulo Ribeiro

Novembro/2010

Introdução
Este trabalho enquadra-se na cadeira de “Gestão da Dívida Pública”, do Curso de PósGraduação em “Contabilidade Pública, Finanças Públicas e Gestão Orçamental” e visa
analisar os Reflexos da Actual Crise Financeira na Dívida Pública, em Portugal e,
parcialmente, nos países mais afectados da zona Euro.
Partindo dos conceitos e do enquadramentoteórico desta matéria e dos princípios de Gestão
da Dívida Pública, pretendeu-se fazer uma breve descrição da crise económica e financeira
internacional que se iniciou em 2007 e do seu impacto, de forma diferenciada, mas sem
precedentes no mercado da Dívida Pública da área do Euro.
O facto de ser tão actual e tão presente nas nossas vidas foi o motivo da escolha deste tema.

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As Raízes daCrise Financeira
A elevada liquidez existente no sistema financeiro, fruto dos excedentes comerciais da China,
do Japão e da Alemanha e da elevada renda petrolífera dos países produtores de petróleo, a
deficiente regulação e a defeituosa gestão dos riscos (tornando o crédito barato e abundante),
a inovação financeira relativamente à titularização dos créditos hipotecários e acentuada
diminuiçãode qualidade do crédito hipotecário residencial nos EUA, aliados ao abandono de
prudentes princípios contabilísticos de valorização de activos e passivos e conjugados com a
falta de ética de alguns gestores financeiros levaram a que em meados de 2007 despoletasse a
chamada crise do subprime, que teve como consequência a falência de inúmeros bancos, sua
absorção por outros ou intervençõesestatais mas acima de tudo um abalo na confiança
financeira à qual nem as bolsas escaparam através de perdas significativas. A crise começou
no sector financeiro e nas matérias-primas e petróleo e atingiu a economia real, gerando assim
desacelerações no crescimento económico mundial ao longo do ano de 2008, após um período
de crescimento nos 5 anos anteriores. À crise financeira, seguiu-se umacrise económica que
viria a desencadear uma crise nas finanças públicas.

A Emissão de Dívida Pública e o Financiamento dos Pacotes Anti-crise
Na primeira fase da crise, os investidores optaram por comprar títulos de dívida pública por
terem menos componente de risco de crédito. Esse aumento de procura fez subir os preços e,
consequentemente, os yields (juros efectivos de dívida pública)baixaram. Com a necessidade
de financiamento maciço dos programas anti-crise, os países foram obrigados a colocar títulos
soberanos o que fez aumentar a oferta e consequente baixa dos preços dos mesmos com
subida inerente das taxas de juro de dívida pública. Outros factores implicados no aumento
dos défices públicos financiados pela dívida foram a perda de receitas fiscais e o acréscimo de
despesassociais, inerentes à conjuntura.

A Crise Financeira Internacional: os Spreads e a Procura da Dívida Soberana
Sendo um assunto na ordem do dia devido à crise financeira internacional, há que referir que
quando se fala em spreads da Dívida Pública (ou Soberana) na zona euro, referimo-nos ao
diferencial entre as Obrigações de Tesouro (OT’s) nacionais (consideram-se normalmente as a
10 anosapesar de haver com períodos diferentes) e as correspondentes OT’s Alemãs (Bunds),
sendo que é através dele que se mede o impacto negativo da crise (quanto maior a diferença,
maior o impacto).
Como vimos anteriormente, a crise iniciou-se em Agosto de 2007, tendo-se difundido
rapidamente, com efeito durador mas não de forma igual, propagando-se dos E.U.A ao Japão
e um pouco à China mas tendo...
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