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O Poder da Identidade - Manuel Castells
Trata-se do segundo volume do livro “A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura”, intiulado “O Poder da Identidade”. O título, conforme se verá, é muito apropriado ao conteúdo. Castells, após apresentar no volume 1 as razões que o permitem entender existir hoje uma “Sociedade em Rede”, demonstra nesta segunda parte qual o papel jogado pelasidentidades coletivas no mundo pós-moderno. Para isso, inicia lembrando que uma nova forma de organização social está sendo difundida em todo mundo, abalando instituições e transformando culturas, por meio da globalização, que por sua vez é desafiada por expressões poderosas de identidades coletivas, que questiona o Estado-nação e coloca em xeque a unais. Castells apresenta uma tipologia das identidadescomo “legitimadora”, aquela introduzida pelas instuições domintantes; “de resistência”, criada por atores estigmatizados, com a finalidade de resistência à dominação, geralmente com formação de comunidades; e “de projeto”, quando atores sociais constroem nova identidade que busca transformação de toda a estrutura social. O autor entende que constituição de sujeitos, nesse processo de transformaçãosocial, ocorre de forma diferente que na modernidade, pois não são mais formados na sociedade, mas como prolongamento da resistência comunal das identidades de resistência. O livro passa, portanto, por uma análise da constituição da identidade coletiva, passando pela questão do fundamentalismo religioso, pelo nacionalismo, pela identidade étnica e pela identidade territorial. Relativamente àrelação do fundamentalismo religioso e a identidade cultural, o autor interpreta o fundamentalismo islâmico, entendo-o não como um movimento tradicionalista, mas sim hipermoderno, no sentido de que a construção de uma identidade islâmica reflete uma reação contra a modernização inatingível e contra os efeitos negatiovs da globalização, visando o paraíso comunal para os verdadeiros fiéis. Contudo,também há o fundamentalismo cristão, como uma ânsia pela segurança proporcionada pelos valores tradicionais e instituições fundadas na verdade eterna de Deus, tendo como causas imediatas a crise do patriarcalismo e a ameaça da globalização. Há também os movimentos nacionalistas contemporâneos, baseados no anseio de expressar a própria identidade e de tê-la reconhecida de maneira concreta, diferenciadode nacionalismos de outras épocas. O novo nacionalismo visa não necessariamente a constituição de um Estado, mas regenerara a comunidade nacional pela preservação da identidade cultural de um povo, o que devincula a idéia de nação do processo de construção do Estado-nação, o que ocorreria com base em fatores primários, gerativos, induzidos e reativos (p. 48). Para exemplificar, menciona o caso dadissolução da União Soviética, que demonstra a possibilidade de as nações perdurarem em relação ao Estado, como ocorreu com identidades nacionais das ex-repúblicas soviéticas. Outro exemplo é a Calalunya, que possui relativa independência em relação ao Estado espanhol, organizando-se em torno de um território e uma língua, demonstrando a distinção entre identidade cultural e poder do Estado. Assim,a Nação, na era da informação, deve ser conceituada como uma comunidade cultural construída na mente e memória coletiva das pessoas por meio de uma história e projetos políticos compartilhados, não sendo, portanto, “comunidades imaginadas”. A cidadania, portanto, não corresponderia à nacionalidade. Outra possibilidade de identidade coletiva baseia-se na etnia, mas que, segundo Castells, cuida-sede vínculos primários que perderam sentido na sociedade em rede, pois estão integradas a comunas culturais mais fortes, como religião e nacionalismo. Assim, raça é um fator muito importante, mas já não é capaz de construir significados. Existem ainda as identidades territoriais, que não induzem um padrão específico de comportamento, mas gera um sentimento de pertencimento e uma identidades...
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