Os movimentos populares

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  • Publicado : 9 de setembro de 2012
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Introdução
A cidade é construída pelos homens, mas os homens que a constroem têm interesses e valores diferentes. A cidade que conhecemos hoje é resultado de uma disputa entre os que a tratam como fonte de lucro e os que a tratam como espaço de vida.
Neste trabalho falaremos sobre esse tipo de disputa, falaremos dos envolvidos, das causas defendidas e dos ganhos que obtivemos com essesmovimentos.

Os Movimentos Populares

Nas disputas os interesses dominantes são os dos grupos econômicos dominantes as cidades são, primeiramente, montadas para servir ao capital, e o que vai ocorrer é que os recursos públicos vão ser usados propriamente a serviço de interesses particulares de um pequeno grupo e não de toda a população.
Para os moradores, a cidade é para viver, não para dar lucro:é um espaço de vida, de moradia, de trabalho, de transporte etc. E é por isso que, depois de muito tempo vendo seu lugar de viver abandonado pelas autoridades, os moradores saíram de sua passividade, se mobilizaram e começaram a lutar por seus direitos, pelo direito a uma rua asfaltada, a iluminação elétrica, a um transporte decente, à água canalizada e assim por diante.
Os movimentos popularesurbanos lutam para se reapropriar da cidade. Em meados dos anos 70 em diante, o Brasil viu surgir inúmeros movimentos de luta por todos os serviços urbanos que faziam falta nos bairros populares. Formaram-se associações de moradores e federações de associações , que pressionaram as autoridades e, em muitos casos, conseguiram obter suas reivindicações, ao menos em parte. As prefeituras que, antes,nem se preocupavam em dar explicações à população, tiveram de prestar cada vez mais atenção ás reivindicações populares. Só no município do Rio de Janeiro, entre 1946 e 1963 haviam sido criadas 124 associações de moradores e entre 1979 e 1981, foram criadas 166 novas associações de moradores, dez vezes maior que entre as décadas de 40 e 60.
O movimento de associações em defesa dos interesses dosmoradores não começou nos anos 70, data de muito antes. Mas a grande maioria delas funcionavam dentro do esquema clientelista: vinculada a algum partido ou candidato, solicitando favores em troca de votos. Este esquema tinha deturpado, por exemplo, as SABs (Sociedade de Amigos do Bairro). Foi o movimento das comunidades de base dos anos 70 que provocou uma mudança fundamental neste processoassociativo. Surgidas durante o período mais repressivo da ditadura militar, as CEBs, embora fossem comunidades religiosas, começaram a promover a mobilização de seu bairro para reivindicar melhores condições urbanos. E, na sua perspectiva, tais reivindicações não eram favores, mas direitos, direitos que eram obrigações das autoridades municipais e dos representantes políticos. Os moradores,organizados pelas CEBs, passaram a exigir e não mais pedir. Onde não haviam associações as comunidades funcionavam como tal. Onde havia, elas entraram nas mesmas e mudaram por dentro. A relação com o poder político, com os candidatos, mudou.
As CEBs tinhas (têm) o hábito de utilizar procedimentos democráticos em sua atividade cotidiana: decisões coletivas, tomadas por maioria, em longas discussões parase chegar a um consenso, etc. E tinham uma preocupação especial com a autonomia da base (os movimentos de base da igreja católica durante muito tempo foram criticados, inclusive, como “basistas”). A contribuição das CEBs para os movimentos populares foram em duas direções, sobretudo: de um modo geral, elas puseram em ações nestes movimentos práticas democráticas, insistindo na participação nasinformações, nas reuniões e assembleias, na tomada de decisões, nas ações coletivas. E influíram no sentido da participação democrática e da busca de autonomia dos movimentos e organizações populares. Autonomia com relação ao Estado, aos políticos, aos agentes externos (intelectuais ou estudantes) que agem junto aos grupos populares.
As comunidades de base contribuíram, portanto, para o...