Oque e a realidade duarte, junior

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O que é realidade / Duarte Junior, João – Francisco. – São Paulo: Brasiliense, 2002. 4º reimpr. Da 10º Ed. De 1994.

- “Cai na Real”


“[...] é uma gíria brasileira recente, significando um apelo para que nosso interlocutor deixe de sonhar ou de fazer planos mirabolantes e utópicos e volte a ter “os pés no chão”. Quando se trata de abandonar o irreal, de voltar-se ao mundo sólido econcreto, caímos na realidade, colocamos os pés no chão. O real é o terreno firme que pisamos em nosso cotidiano.” (p. 7-8)

“Muitas ciências – especialmente as chamadas ciências humanas – trabalham com o conceito realidade, incorporando-o ao seu jargão característico.” [...] Estudantes e profissionais da psicologia quase sempre embatucam quando se lhes propõe que expliquem o termo realidade queempregam em suas falas e dissertações. Em geral descartam a questão por considerá-la “obvia demais”, ou então respondem com frases feitas empregadas pelo senso comum, como: “realidade é como o mundo é”, “realidade é aquilo como as coisas são.” (p.8-9)

“[...] talvez não devêssemos falar de realidade, e sim de realidades, no plural. O mundo se apresenta com uma nova face cada vez que mudamos a nossaperspectiva sobre ele. Conforme a nossa intenção ele se revela de um jeito.” (p. 11)


“Realidade, portanto, é um conceito extremamente complexo, que merece reflexões filosóficas aprofundadas. [...] O homem não é um ser passivo, que apenas grava aquilo que se apresenta aos seus sentidos. Pelo contrário: o homem é o construtor do mundo, o edificador da realidade. Esta é construída, forjada noencontro incessante entre os sujeitos humanos e o mundo onde vivem.” (p.12)


“As forças naturais não são criadas pelo ser humano, mas a maneira de percebê-las, de interpretá-las e de estabelecer relações com elas, sim.” (p. 13)

“Concluindo: a questão da realidade (e da verdade) passa pela compreensão das diferentes maneiras de o homem se relacionar com o mundo. Ciência, filosofia, arte ereligião são quatro formas marcantes e especiais de esse relacionamento se dar.” (p. 15)

-“No Princípio Era a Palavra”



“O que funda esta diferença, o que torna o homem humano é, básica e decisivamente, a palavra, a linguagem. A consciência humana é uma consciência reflexiva porque ela pode se voltar sobre si mesma, isto é, o homem pode pensar em si próprio, tomar-se como objeto de sua reflexão.E isto só é possível graças à linguagem: sistema simbólico pelo qual se representa as coisas do mundo, pelo qual este mundo é ordenado e recebe significação.” (p. 18)

“Pela palavra o homem criou também o tempo, ou a consciência dele. Posso pensar no meu passado, e não só no meu passado, mas no de toda a espécie humana: com a palavra encontro e crio significações para aquilo que viviontem, anteontem, ou para aquilo que outros homens viveram três séculos atrás. Com a palavra posso ainda planejar o meu futuro, com ela sei que existe um tempo que virá, um tempo que ainda não é. (p. 19)

“Vivemos assim, não apenas num universo físico, mas fundamentalmente simbólico. Um universo criado pelos significados que a palavra empresta ao mundo.” (p.20)

“[...] Mundo é a compreensão de tudoisto numa totalidade, é a ordenação deste aglomerado de seres num esquema significativo, só possível ao homem através de sua consciência simbólica, linguística.” (p.22)

“Definitivamente: o que existe para o homem tem um nome. Aquilo que não tem nome não existe, não pode ser pensado.” (p.23)

“[...] Quanto menos palavras a população soubesse, menor a sua capacidade de raciocínio e menor a suaconsciência de mundo.” (p.24)

“[...] A linguagem de um povo é o sistema que lhe permite organizar e interpretar a realidade, bem como coordenar as suas ações de modo coerente e integrado.” (p.24)

“O ser humano move-se, então, num mundo essencialmente simbólico, sendo os símbolos linguísticos os preponderantes e básicos na edificação deste mundo, na construção da realidade.” (p. 27)

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