Opioides

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Rev Bras Anestesiol
1994; 44: 1: 65 - 73

Opióides e Antagonistas
Judymara Lauzi Gozzani,TSA
Gozzani JL - Opioids and Antagonists
Key Words: PHARMACOLOGY: opioids, agonists, antagonists

O

extrato de papoula, composto opióide mais
antigo utilizado em medicina, foi descrito no
século 3 ac. Inicialmente foi empregado para controlar diarréias, entretanto suas propriedades analgésicaslogo foram observadas. Semanas antes da
demonstração das propriedades anestésicas do éter
por Morton, no Massachussets General Hospital,
Smilie publicou no Boston Medical and Surgical Journal suas observações sobre as propriedades analgésicas de uma solução de ópio aquecida, que agia
por via inalatória1.
A nomenclatura dos componentes deste
grupo de fármacos tem se alterado no decorrer dosanos; foram inicialmente designados como narcóticos. Este termo porém incluía não só as substâncias
derivadas da morfina, mas também outras que produziam sonolência. Passou-se então a designar os
derivados naturais de opiáceos e os derivados sintéticos de opióides. Entretanto a tendência atual é
designar todo o grupo, de forma genérica, como
agentes opióides2 .
A racionalização no uso deopióides derivou
do conhecimento dos receptores, e portanto esclarecimento de seu principal mecanismo de ação.

RECEPTORES E PEPTÍDEOS OPIÓIDES
ENDÓGENOS
O receptor é um conceito fundamental em
farmacologia moderna; trata-se de uma macromolécula específica no tecido alvo, tipicamente uma proteína que se liga à droga, resultando desta ligação
sua atividade biológica. A macromolécula é um localde reconhecimento para a droga e um intermediário
entre sua presença na biofase e o evento bioquímico

Correspondência para Judymara Lauzi Gozzani
R Abílio Soares 330/11
04005-001 São Paulo - SP

© 1994, Sociedade Brasileira de Anestesiologia

Revista Brasileira de Anestesiologia
Vol. 44 : Nº 1, Janeiro - Fevereiro, 1994

ou biofísico, que corresponde a sua ação biológica.
Quandouma droga desencadeia esta reação é chamada de agonista; se a interação não desencadeia
nenhum efeito, mas impede o acesso de qualquer
agonista, a substância é chamada de antagonista. O
antagonista é um composto suficientemente semelhante em sua estrutura ao agonista para conseguir
combinação com o sítio reconhecedor, mas sem capacidade para conseguir a mudança conformacional
que produz oefeito biológico3 .
É importante observar que os receptores
não somente são determinantes da regulação de
funções fisiológicas e bioquímicas, como eles
próprios estão sujeitos a controles homeostáticos. A
estimulação contínua de um receptor por um
agonista resulta em um estado de dessensibilização
(também conhecido como refratariedade). Neste
estado o efeito obtido por exposição subseqüenteda
mesma concentração de droga é menor. Diversos
mecanismos podem ser responsáveis por este
fenômeno, tais como, alteração do receptor, sua destruição, relocalização na célula. De forma inversa,
um estado de hiperreatividade, supersensibilidade
do receptor ao agonista é freqüentemente observado
após redução da estimulação crônica (administração
prolongada de antagonista, por exemplo)3 .
Aidentificação de receptores opióides na
década de 70 foi também acompanhada da identificação de substâncias endógenas que se ligavam a
eles. Estas substâncias são peptídeos, divididos em
3 famílias, cada uma originada de um gene distinto.
Estes genes orientam o código de síntese de uma
grande proteína precursora a partir da qual os vários
peptídeos ativos são separados. Uma destas proteínasprecursoras é a pro-opiomelanocortina que dá
origem ao hormônio melanocítico estimulante, ACTH
e ß-endorfina. O segundo grupo de peptídeos
opióides deriva do precursor pro-encefalina, que dá
origem a metionina encefalina (met-encefalina) e à
leucina encefalina (leu-encefalina). O terceiro precursor é a pro-dinorfina que origina as dinorfinas
(com cadeias de aminoácidos de diferentes...
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