Onze de set

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eWELLAUSEN, Saly daRev. Sociol. USP, S. Paulo,de 11 de 83-112, outubro de 2002. A R T G O Tempo Social; Silva. Terrorismo e os atentados 14(2): setembro. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, I14(2): 83112, outubro de 2002.

Terrorismo e os atentados de 11 de setembro
SALY DA SILVA WELLAUSEN

RESUMO: O fenômeno da fragmentação mundial produziu uma nova ordem nas relações de poder,estabelecendo uma nova tensão entre os de “cima” contra os de “baixo”, verticalizando o antigo eixo geopolítico leste/oeste da Guerra Fria. Os elementos formadores das identidades oprimidas aspiram à afirmação de um modo de ser, constituindo o caráter ontológico da personalidade coletiva. Percorrer as razões teóricas que alimentam o pensamento e a ação terrorista, suas estratégias e táticas discursivas,é o objetivo desse trabalho. Uma ontologia da violência brota do interior dos conceitos foucaultianos – microfísica, biopoder, sujeito, liberdade, jogos de verdade, cinismo –, destruindo tudo com seu poder avassalador. Na nova ordem mundial, o terrorismo enquanto ação pontual é o contraponto ao poder dominante, como presença ameaçadora e difusa, agindo pela surpresa, disseminando medo edestruição por onde passa.

PALAVRAS-CHAVE:

violência, terrorismo, poder, biopoder, cinismo, racismo, 11 de setembro de 2001.

Introdução

ichel Foucault propõe uma leitura crítica da razão ocidental, quando enfatiza duas dimensões: de um lado, o senso cartesiano que constitui a fundação do tipo legal da razão; de outro, seu senso contemporâneo, o do biopoder e da disciplina. Ao dar ênfase aosegundo senso, essa leitura garantia uma certa relação entre teoria e prática; a teoria – purificada do totalitarismo, arbítrio e despotismo – pode propor, legitimamente, um estudo do menor suporte da ordem

M

Professora do Departamento de Filosofia da FFLE - Universidade Mackenzie 83

WELLAUSEN, Saly da Silva. Terrorismo e os atentados de 11 de setembro. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S.Paulo, 14(2): 83112, outubro de 2002.

Esse trabalho foi apresentado originalmente no Congresso Internacional Local Practices and the Concern for Truth, Ethics, Policy(ies) and Epistemology in the Social Sciences, intitulado “Terrorismo e violência”, realizado na Ilha de Egina na Grécia, de 17 a 19 de maio de 1997. O presente texto foi atualizado em vista dos atentados aos Estados Unidos.
84social, do grau que não derivaria de “cima”, mas que poderia emanar de “baixo”, e perguntar como este “baixo” se formou no interior do contexto das relações de poder, dentro de um ramo de conhecimento e intervenção política. Em outras palavras, essa leitura de Michel Foucault tem feito parte de uma reformulação de hipóteses das ciências sociais, garantindolhe um importante baluarte ou álibi. O finaldo século XX testemunhou um fenômeno que está avançando: a fragmentação social. Esse fato coincide com processos no interior dos quais problemas de preservação social ou estado de bem-estar é o ponto focal. A saída é perguntar em que dimensão e sob quais condições existe coincidência do social e do objeto político-governamental. Trata-se de um evento que permanece no interior do tecido social, comenfoques sociológicos e filosóficos. No interior da realidade da fragmentação social, observa-se a ascensão das práticas locais e sua relação com a verdade. O nascimento de novos problemas levanta suposições a respeito de sua natureza e conseqüências. Michel Foucault assinalou a distinção da singularidade e da autonomia nas práticas locais como um necessário e desejável desenvolvimento, mas tambémcapaz de nos desviar da filosofia que, em primeiro lugar, foi reconhecida e designada de “cima”, uma tradição filosófica e “co-responsável” pelas provas e atribulações, catástrofes e totalitarismos nos últimos séculos. Várias abordagens podem ser feitas na análise do tipo de relação entre as práticas e o discurso das ciências sociais com o “outro”, que poderia estar “acima” ou “abaixo”,...
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