Oficina

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  • Publicado : 25 de novembro de 2012
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Introdução


Em várias das oficinas de Língua Portuguesa, levamos você a pensar a respeito do ensino da língua materna, sempre colocando aquela pulguinha atrás da sua orelha. Afinal, o que vimos aprendendo? Mais ainda, o que temos ensinado? Aliás, temos “ensinado”? Será que o ensino da língua portuguesa é assim tão distorcido? Será que, para ensinar Português, é preciso reaprender tudo? Será?Tudo bem que esta oficina é de Língua Portuguesa, mas, vamos pensar com a Pedagogia... Afinal, o que entendemos por ensinar? E por aprender? Será uma relação horizontal, em que o professor ensina e o aluno aprende? Ou será uma relação de apreensão, por ambos, de múltiplos sentidos do conhecimento em cada área específica?

Na verdade, o primeiro ponto a ser respondido em meio a tantoquestionamento é o que diz respeito a reaprender. É necessário, antes de tudo, termos a firme consciência do que de fato aprendemos em tantos anos de estudo da nossa língua. Mais importante, ainda, é buscarmos em nossa prática o sentido de ensinar, de novo, aquilo que disseram estar nos ensinando.

Nessa oficina, consideramos imprescindível que comecemos a repensar alguns conteúdos do ensino da línguanas séries iniciais. Para isso, vamos falar de classes de palavras. Mas antes, como não poderia deixar de ser, vamos provocar você mais um pouquinho, com a leitura de um pequeno texto que vai nos perseguir em várias outras oficinas. Vamos a ele:

Rodomilhos lilases
Lourenço Diaféria

Alice sempre diz que quer ser professora quando crescer. O pai de Alice duvida. Acha que com o tempo a filhaacaba mudando de ideia, se Deus quiser. Professora de quê? Uma hora Alice diz que quer ser professora de português. Outra hora diz que quer ser professora de matemática. No primeiro semestre, Alice queria ser professora de inglês. Estava encantada com as primeiras lições de inglês. O pai de Alice percebeu logo que a preferência da filha varia de acordo com as notas na caderneta escolar. Na semana emque as coisas não correm bem em determinada matéria, Alice trata de mudar de cadeira com a mesma facilidade com que troca de bonecas.

As bonecas também andam preocupando um pouco o pai de Alice. Recentemente Alice teve de aprender a conjugação e os tempos dos verbos auxiliares. Os verbos auxiliares deviam auxiliar, mas costumam atrapalhar a cabecinha das meninas do tamanho de Alice. E, da mesmaforma, a cabecinha das bonecas. Nesses dias de verbos auxiliares duas bonecas ficaram de castigo depois das aulas. Marocas foi a que se comportou pior. Além de errar a terceira pessoa do plural do futuro do verbo haver, deixou cair tinta no caderno. Alice ficou uma fera. Mandou Marocas para a diretoria. É a terceira vez neste ano que Marocas apronta uma dessas. Está com nota vermelha nacaderneta.

Outra que também não está nada bem na escola é Gina, uma velha boneca desbotada que pertenceu à irmã de Alice. Alice acha que ela é preguiçosa. Talvez seja reprovada, ou fique de recuperação.

Fofinha é a primeira da classe, mas um pouco desmazelada. Não consegue manter presa a fita amarela aos poucos fios de cabelo que lhe restam. Tem um defeito num dos olhos: ele não fecha. A pálpebra deplástico quebrou faz tempo, numa brincadeira com as amigas. Cada boneca tem um boletim e uma história. E um temperamento. Alice conhece todas as manhas delas. Na hora de estudar, não admite brincadeiras ou estripulias. Passa a lição no quadro-negro – que, por sinal, é verde – ensina contas de somar, diminuir, dividir e fração, exige a tabuada de cor sem contar nos dedos.

Lá embaixo, o pai deAlice a ouve dar sentidas broncas em seus alunos. Nem o Fofinho escapa. Apesar de ele ser muito pequeno, molenga, não sabendo nem sentar-se na cadeira, Alice o obriga a permanecer na sala (que na verdade é o quarto de dormir) acompanhando as lições. Mas há momentos em que Alice, talvez sensibilizada pela fragilidade do boneco, o segura no colo e o faz adormecer encostado a seu peito infantil....
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