Novela lado a lado e a questão racial

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  • Publicado : 9 de abril de 2013
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Etnografia / Descrição da pesquisa realizada:
Escolhi os textos de Robert Hertz e Oracy Nogueira por situar dentro da minha formação como pessoa pontos crucias a respeito das minhas observações dentro dos assuntos voltados para o preconceito racial.
Durante o período das aulas do curso de antropologia oferecido dentro do curso de produção cultural no IFRJ, me peguei observando cenas da novelaLado a Lado com um ar mais de observador, de estudioso do que com ar de curioso e/ou incomodado com a realidade preconceituosa que se instaura no Brasil, na qual a novela se concentrava ema retratar.
Através das problemáticas observadas nos dois parâmetros que observei, desenvolvi a hipótese de que ação gera reação dentro do contexto preconceito e parti para reunião de informações para pesquisade campo; comecei com a observação das citações conceituais a respeito da novela que sistematizei ser algo atual, de fácil acesso á todos, e democrático, o que logo me foi desmentido.
A democratização foi logo por mim constatada como algo que não existia de fato, as cenas que me envolveram por apontar fortes pontos á serem observados não foram liberados pela Rede Globo de Televisão, fiquei eu aobservar, a buscar as pessoas que se interessavam de alguma forma pela temática preconceito dentro da novela e assim através de uma observação pacifica e calada, não questionei, mas observei, os comportamentos virtuais de cada uma delas, algumas já havia convivido no período de formação durante o ensino médio outras apenas convivi virtualmente durante este tempo de pesquisa, fazendo da observaçãomeu único instrumento de pesquisa de campo, contextualizando pra atual realidade virtual em que vivemos.
O horário das 18h é normalmente viabilizado para as novelas de época da TV Globo; a novela Lado a Lado é uma produção que se passa na Pedra do Sal no Rio de Janeiro e retrata a época do início do século XX, onde a cidade respira influências vindas da Europa, aqui acontecem transformaçõesbaseadas na Belle Époque, e tudo vem a ser transformado: desde as estruturas arquitetônicas até os costumes e hábitos, e falando em hábitos as damas deste tempo social, passam a lutar por um espaço que não possuíam, e os descendentes da era escravocrata se utilizam do samba como um produto cultural, criando em torno dele e da capoeira, por exemplo, uma nova cultura, negra, dentro do tempo social emvivência; riqueza e exuberância são contrastadas com o surgimento da primeira favela do Rio de Janeiro e a luta pela dignidade pelos negros, que em 50% são apresentados no núcleo que destaquei para observar, fazem um contraste entre império e ex - escravos: Baronesa Constância e Padre Olegário x Dançarina de Samba Isabel e Jurema, a macumbeira – característica que me é interessado na observação.Durante o processo de coletagem de informação reuni desde descrições das personagens até observações pessoais de militantes do movimento negro. Uma vez que as cenas me foram inviáveis de possuir, estudei os resumos dos capítulos bem como grande material que expusesse algo sobre esse teor racial, acredito ter sido suficiente para minha observação e análise perante o que li; iniciando asexemplificações desses materiais, a descrição de Isabel está á seguir:

[...] “A noite cai na Pedra do Sal, na Saúde. O som dos tambores ecoa. Isabel se solta, roda, samba. O calor é forte, o suor escorre por seu corpo. Cabelos soltos, a saia rodada evolui pelo ar. Ela quer vida, alegria, embora nem sempre o sol tenha brilhado em seus dias. Criada em um cortiço, pobre, filha de ex-escravo, cresceu vendo o pai,seu Afonso trabalhar duro para educá-la da melhor maneira.

Mas, nada nem ninguém, é capaz de tirar o brilho de seus olhos, a sua vontade de vencer e de conquistar a sua liberdade. A chegada da República traz pra ela e os seus um novo sopro de esperança, mais um passo para deixar para trás as marcas ainda recentes que a escravidão deixou no país. Apesar dos preconceitos e das dificuldades...
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