Movimento corporal humano: objeto de estudo/ensino exclusivo ou especifico da educação física para a educação infantil?

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  • Publicado : 27 de janeiro de 2013
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Movimento Corporal Humano: objeto de estudo/ensino exclusivo ou especifico da Educação Física para a Educação Infantil?


Nelson Figueiredo de Andrade Filho[1]


Introdução
A experiência de inserção da Educação Física na Educação Infantil tem suscitado muitas reflexões sobre a legitimidade da sua participação pedagógica nessa modalidade da Educação Básica. No interior das escolasinfantis, entre os pedagogos, entre os professores de outras especialidades, entre, inclusive, os próprios professores de Educação Física é comum ouvir alguns dizer que o trabalho pedagógico com o movimento corporal humano não é uma exclusividade da Educação Física ou do seu professor. Nessas ocasiões fica no ar a especulação de que o movimento corporal humano, enquanto objeto de estudo e ensino naEducação Física, particularmente para a Educação Infantil, é passível de ser trabalhado em todas as áreas de conhecimento, por todos os professores.
Temos ouvido essas assertivas com preocupação. A nosso modo de ver, esse tipo de reivindicação genérica é muito ruim para o projeto pedagógico escolar, mas, mais que isso, é muito ruim para as crianças. Parece inerente à perspectiva de cultura escolarinstituída pasteurizar todo e qualquer debate que pretenda estabelecer objetos claros, diferenças epistemológicas, exigências teórico-metodológicas, responsabilidades e desafios com/contra as lógicas de ação tradicionalmente inscritas nas práticas educativas determinadas, quase sempre oficialmente, dos adultos para os adultos e desses para as crianças.
Por essa perspectiva de cultura escolar, aoque parece, a escola básica tem historicamente se firmado como uma agência social conservadora. Hierarquizadora de determinados conhecimentos em detrimento de outros. Desse modo, o processo pedagógico que em discurso se pretende “práxico”, está “sempre” mais apto para se objetivar em forma de valorizar a cognição, a simbolização ou a expressividade que em forma de valorizar a ação ou o movimentocorporal humano, considerando-o como um indispensável fundamento do processo de formação humana e educação social dos sujeitos. É como se, conscientes ou não, reproduzíssemos natural e disciplinadamente a divisão social do trabalho no cerne do processo educacional.
Em resposta a essa problemática, temos afirmado que realmente nenhum conhecimento deve ser exclusividade de nenhum campo de saber oudo seu profissional, portanto o trato com o movimento corporal humano também não deveria ser exclusividade da Educação Física e/ou do seu professor. Mas, na realidade não é assim. Todavia, diferente do que se está pensando e dizendo, temos explicitado que o nosso enfoque não quer reivindicar exclusividade, mas especificidade acadêmica e pedagógica, e é isso que hodiernamente se exige de todas asáreas de conhecimento em suas diferentes ações sociais.
Em nossa perspectiva discursiva o que está em questão é a necessidade de se evitar e/ou superar o ecletismo pedagógico, corriqueiro nas opções e ações de ensino encetadas na Educação Básica brasileira. Posicionamos-nos nesse sentido por entender que esse tipo de procedimento epistêmico é corolário de educação de má qualidade. Por essa lógica,é preciso que todos os profissionais de nível superior presentes na escola assumam que não foram formados, nem na universidade, nem fora dela, para tratar todo e qualquer conhecimento curricular e respondam qual a contribuição especifica que têm a oferecer no processo educativo regular. Por isso, perguntamos: qual a contribuição especifica dos professores de Educação Física, Artes, Pedagogia,dentre outros, para a construção e realização do projeto pedagógico escolar, especialmente no sentido de mediar necessidades e interesses de crianças que se encontram no nível da Educação Infantil? Como farão para articular os diferentes conhecimentos que reivindicam para si em favor das necessidades e interesses das crianças?
Costumeiramente os profissionais da educação escolar reivindicam...
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