Monografia - subjetividade de clarice lispector

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A NARRATIVA INTIMISTA E A SUBJETIVIDADE EM A PAIXÃO SEGUNDO G.H., DE CLARICE LISPECTOR
Monique Lima dos Santos
Matrícula: 08102117
Curso de Letras
Habilitação Português-Inglês


RESUMO: Este artigo analisa a obra de Clarice Lispector, procurando ver as subjetividades nela contidas, especificamente no romance A paixão segundo G. H. O objetivo é esclarecer a subjetividade desta obra, comotambém identificar e entender a narrativa intimista presente nas obras da autora. O alvo deste artigo tem também como primazia perceber que Clarice utiliza a narrativa intimista para atingir seus leitores em zonas mais profundas e inusitadas de seu ser íntimo, essa sondagem feita pela escritora determina características especificas de seu estilo. Suas escritas ilustram particularidades psicológicasdas personagens e essas descobertas dão-se em fatos inusitados que podemos perceber na obra que será explorada neste artigo.


Palavras-chave: Clarice Lispector, Literatura Brasileira, Subjetividade, Narrativa Psicológica.


INTRODUÇÃO


O romance A Paixão segundo G. H., escrito por Clarice Lispector, é repleto de mistérios e, além disso, possui densas subjetividades que são uma propriedadesingular da escritora.
G. H. é uma personagem com uma história corriqueira, mas seu conteúdo é extremamente avassalador, pois desperta em nós, leitores, a curiosidade de entender a desintegração do seu Eu, a imersão da protagonista em um vazio que se inicia com reticências, numa perda evidente do seu Eu. G. H., que não fornece nenhuma identidade particular, é uma mulher que, após demitir suaempregada, resolve limpar o seu quarto e daí se depara com um inseto que condiciona a sua insólita reflexão sobre seu EU. Ao se deparar com um inseto, ela começa a refletir sobre sua existência e essência, desenvolvendo em seu íntimo uma inquietação homeopática que aumenta através de seu olhar numa ação constante de imaginação. Seus olhos são agora a janela para um novo mundo de descoberta, para o seumundo desconhecido e inerte até o momento. Ali, G. H. descobrira a sua desorganização e sentia a necessidade de se organizar, percebendo o desgosto na desordem de viver: “Há um mau gosto na desordem de viver”. (LISPECTOR, 2009, p. 27). O objetivo deste artigo é tentar desvendar as subjetividades atribuídas por Clarice aos leitores que se envolvem no silêncio concreto de suas obras e percebem queessas obras são quase abstratas os engodando de forma impetuosa ao ponto de tentarem entender essa magia que nas primeiras linhas nos confunde por sua fragmentação exposta. Sua linguagem subentendida, além de revelar sua autenticidade, incita alguns leitores a persistir sua leitura, impelindo-os ao entendimento da essência de sua obra pela total complexidade nela contida. Clarice estimula seusleitores a refletir naquilo que foi dito e nos atrai para refletirmos sobre as escritas nas entrelinhas. Hermética por uns e esplêndida por muitos, Clarice Lispector em sua obra, nos permite entender que a questão é sentir.


DESENVOLVIMENTO


A obra de Clarice Lispector inicia-se com um dos fatores marcantes, que é também um indicador particular da escritora, a reticência. O romance A PaixãoSegundo G. H. começa com reticências e termina com a mesma pontuação. Uma espécie de um começo já começado e um fim não finalizado.
Clarice em sua obra mostra uma realidade não tão profundamente expressada por todas as donas de casa. Talvez a rotina corriqueira e uma súbita vontade de limpar um quarto, ou até mesmo se deparar com um inseto tão desprezível e abominado por muitas mulheres, seja algobanal e habitual. Mas o que Clarice quis elucidar através deste encontro entre os dois seres? Um, cujas emoções eram desconhecidas e totalmente desorganizadas, até então. O outro, um ser miserável que desperta, na mulher, profundos e insólitos pensamentos e sentimentos. Este artigo tentará elucidar essa subjetividade, numa leitura não tão intimista quanto a obra de Lispector.
O afrontoso...
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