Modernistas

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Aferia 28 de março de 2011
Épura (Ronald de Carvalho)
Geometrias, imaginações destes caminhos
da minha terra!
Curvas de trilhas,
triângulos de asas,
bolas de cor...


Círculos de sombras agachadas entre as árvores,
cilindros de troncos embebidos na luz.


Geometrias, imaginações destes caminhos
da minha terra!


Melancolicamente, nesta alegria geométrica,
pingando bilhaspolidas,
o leque das bananeiras abana o ar da manhã.


Um pouco sobre Ronald de Carvalho:

Nascido no Rio de Janeiro, em 1893, cidade onde realizou os seus estudos, inclusive os de direito, aí também faleceu em 1935, vítima de um desastre de automóvel, ocupando na ocasião o cargo de Secretário da Presidência da República. Estudou também na Europa e, seguindo a carreira diplomática, esteve nos maisaltos postos possibilitados pelo Itamarati.
Com Luís de Montalvo, fundou a revista "Orfeu", que adotava como nomes tutelares Camilo Pessanha, Verlaine e Malharmé, de um lado, e de outro, Walt Whitman, Marinetti e Picasso. Participou da Semana de Arte Moderna, tendo declamado no palco do Teatro Municipal, além dos seus versos de Manuel Bandeira e de Ribeiro Couto. O poeta dedicou-se ao ensaísmo,à crítica, aos estudos de história da literatura e dos problemas brasileiros, estéticos e políticos.


Ronald de Carvalho deixou em todos seus poemas, a marca da cor, da luminosidade fulgurante, realizando uma poesia gráfica e nítida.
Telha de vidro (Rachel de Queiroz)
Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
Mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...


A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...


Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
rendade arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.


Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar,sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!



Um pouco sobre Raquel de Queiróz:

Filha de intelectuais, Rachel de Queiroz descendia pelo lado materno do romancista José de Alencar. Ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, fugindo da seca de 1915. (O fato seria depois tematizado em "O Quinze".)
Logoem seguida, a família mudou-se de novo, indo para Belém, onde ficou dois anos. Em 1917, voltou para Fortaleza, pois o pai foi designado juiz na capital cearense.
Em 1921, Rachel ingressou na escola normal, onde se diplomaria em 1925.
Estreou em jornal em 1927, com o pseudônimo Rita de Queiroz. Em 1930, aos 20 anos, publicou "O Quinze", seu primeiro romance. Tratando dos flagelados e da pobrezanordestina, foi bem recebido pela crítica, tendo merecido comentários de intelectuais como Augusto Frederico Schmidt e Graça Aranha.
Na década de 1930, Rachel entrou para o Partido Comunista Brasileiro, desenvolvendo militância política em Pernambuco (em 1937, chegaria a ser presa).
Casou-se com José Auto da Cruz Oliveira em 1932. Na mesma época, colaborou como cronista para jornais e revistas epublicou uma série de traduções, de autores como Jane Austin, Balzac e Dostoievski.
Em 1937, saiu o romance "Caminho de Pedra". Dois anos depois, foi a vez de "As Três Marias". Em 1948, suas crônicas foram reunidas na antologia "A Donzela e a Moura Torta".
A autora estreou no teatro em 1953, com a peça "Lampião". Em 1958, publicou "A Beata Maria do Egito".
Nos anos 1960, Rachel de Queiroz...
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