Michel foucault - vigiar e punir

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  • Publicado : 11 de setembro de 2012
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“Um exército inteiro de técnicos veio substituir o carrasco, anatomistas imedito do sofrimento: os guardas, os médicos, capelães, os psiquiatras, os psicólogos, os educadores; por sua simplespresença ao lado do condenado, eles cantam à justiça o louvor de que ela precisa: eles lhes garantem que o corpo e a dor não são os objetos últimos de sua ação punitiva. É preciso refletir no seguinte: ummédico hoje deve cuidar dos condenados à morte até ao último instante – justapondo-se destarte como chefe do bem-estar, como agente de não-sofrimento, aos funcionários que, por sua vez, estão encarregadosde eliminar a vida. Ao se aproximar o momento da execução, aplicam-se aos pacientes injeções de tranqüilizantes. Utopia do pudor judiciário: tirar a vida evitando de deixar que o condenado sinta omal, privar de todos os direito sem fazer sofrer, impor penas isentas de dor
CONCLUSÃO: O sofrimento físico, a dor não são mais os elementos constitutivos da pena. Ao contrário, o condenado tem todo um“suporte” para que ele sinta-se bem. E até mesmo na hora da execução, aplica-se nele tranqüilizantes para que ele não sofra, não sinta-se mal, e nem sinta dor.

“Para todos uma mesma morte, sem queela tenha que ostentar a marca específica do crime ou o estatuto social do criminoso; morte que dura apenas um instante, e nenhum furor há de multiplicá-la antecipadamente ou prolongá-la sobre ocadáver , uma execução que atinja a vida mais do que o corpo. Não mais aqueles longos processos em que a morte é ao mesmo tempo retardada por interrupções calculadas e multiplicada por uma serie deataques sucessivos. Não mais aquelas combinações quer eram levadas a espetáculo para matar os rigicidas, ou como aquela com que sonhava, no começo do século XVIII, o autor de Hanging not Punishment Enough,e que teria permitido arrebentar um condenado sobre a roda, depois açoitá-lo até a perda dos sentidos, em seguida suspendê-lo com correntes, antes de deixá-lo morrer lentamente com fome. Não...
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