Metodologia da economia: popper, kuhn, lakatos e feyerabend

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METODOLOGIA DA CIÊNCIA APLICADA À ECONOMIA: A IMPORTÂNCIA DO DEBATE METODOLÓGIO ENTRE POPPER E OS RELATIVISTAS Rodrigo Siqueira Rodriguez1

1.Introdução O curso de Pensamento Econômico III aborda inicialmente os desafios e as questões nascentes da batalha dos métodos e o porquê da importância do estudo da metodologia para o economista. Essa questão, que se refere à primeira metade do curso, éde fundamental importância para a formação da Escola Neoclássica, objeto central do curso. Neste trabalho, me limitarei a avançar até o debate entre Popper e os Teóricos do Crescimento do Conhecimento, com a finalidade de valorizar este debate tão relevante para a história da metodologia da ciência e para o estudo da economia como ciência. Para abordarmos esse tema amplo, será necessário retomaralguns elementos que foram estudados nos cursos anteriores, como a teoria clássica e o pensamento econômico de Karl Marx, a fim de se entender a discussão sobre o método que culminou na batalha dos métodos. A teoria clássica buscou desde Adam Smith, não que de forma predominante mas essencialmente, a explicação dos fenômenos através da criação de princípios, teorias e leis que pudessem sercaracterizadas como gerais. Um dos exemplos mais conhecidos é o homem econômico, um homem atemporal e natural: “o homem que luta pela satisfação máxima com o mínimo de sacrifício”. Outro elemento importante da teoria clássica é o individualismo metodológico, que será exposto mais adiante. Por outro lado, Marx apresenta uma visão contrária aos teóricos clássicos através de sua metodologiaanti-individualista, através da importância das estruturas sociais na teoria econômica do capitalismo. Os seguidores da tradição Marxista pressupõem que a determinação dos indivíduos é feita pelas entidades sociais, enquanto o Individualismo metodológico defende que as entidades sociais são resultados dos indivíduos. Podemos observar então que o estudo da ciência econômica no final do século XIX, partindo dessedebate, não era um consenso, uma vez que o contexto histórico aponta para uma crise da economia como ciência, que culminou na batalha dos métodos. A batalha dos métodos se deu entre duas escolas de economia, a Escola Histórica Alemã e a Escola Austríaca. A Escola

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Aluno de graduação da Faculdade de Economia – UFF. Trabalho voltado para a atividade de monitoria da Semana Acadêmica da UFF. Histórica Alemã e a Escola Marxista se assemelham sob o aspecto de se apresentarem contrárias ao individualismo metodológico, apesar de suas inúmeras diferenças. Por outro lado a Escola Austríaca e a Escola Clássica Inglesa defendiam tal questão metodológica, apesar de também apresentarem suas diferenças. A expressão “individualismo metodológico” é atribuída a Joseph Schumpeter, sendo colocada deforma clara e enfatizada na metodologia da escola austríaca. Segundo a exposição de Schumpeter, o individualismo metodológico propõe que o indivíduo é o ponto de partida ideal a ser utilizado pelas teorias econômicas para alcançar seus fins práticos. Ou seja, não se trata de abstrair o comportamento humano, mas sim de partir do indivíduo para a compreensão das relações econômicas. John Stuart Milladeriu a tal princípio ao assumir, como outros autores clássicos, que o princípio de onde devemos partir ao estudar a ciência econômica parte da natureza humana do auto interesse e que o comportamento da sociedade pode ser analisado e explicado através do comportamento dos indivíduos. 1.1.A Batalha dos métodos (Methodenstreit) A Escola Histórica Alemã (liderada por Gustav Von Schmoller) propunhaentão, um método diferente do individualismo metodológico, o método conhecido como método histórico. O método histórico propõe a transformação da economia em parte dum conceito mais amplo de ciência social, uma integração de história, ciência política, sociologia, filosofia, ética e todos os elementos de vida social, como a tradição e os costumes. A economia seria sob tal visão uma ciência da...
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