Metafora paterna

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  • Publicado : 10 de abril de 2013
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Ao se trabalhar as primeiras vivências do sujeito na sua inserção ao simbólico, deve-se recordar os primórdios desse processo. O bebê em seu início de vida, não distingue sua identidade com a da mãe, trata-se de um processo simbiótico onde a mãe é responsável pelos cuidados e sobrevivência dessa criança, como diz Rappaport ” A criança, assim, acopla-se à pessoa que desempenha a função maternal,constituindo com ela uma unidade que, do ponto de vista infantil, é auto-suficiente….” pág. 37
Segundo Freud, aos três anos de idade aproximadamente, a criança entra no Complexo de Édipo e permanece neste até aproximadamente os cinco anos de idade, onde há o desfecho do Édipo. Em primeiro lugar, o período Edípico, seria um período onde a criança tem de haver com questões sobre sua sexualidade,sobre seu desligamento simbiótico da mãe , sua entrada no simbólico, a introjeção da lei e sua atividade frente ao mundo que agora surge no horizonte infantil. Tal complexo tem grande importância na orientação do desejo humano e na formação da personalidade do sujeito.
O processo narcísico em que a criança se encontra, onde há a perspectiva de que o mundo gira em torno dela, coincide com essa forteligação com a figura materna (qualquer pessoa pode fazer a função materna ou paterna, não necessariamente havendo necessidade de ser mãe ou pai biológicos da criança),que a criança possui. Ao chegar à fase fálica a criança transfere o interesse do seu Eu para o falo (significante do poder). A mãe passa a ser vista como um objeto de satisfação global, a libido da criança é dirigida em relação à mãe,no entanto, como cita Rappaport, “no momento maior do desenvolvimento das relações libidinais, que unem a criança e a mãe traz consigo o germe da desilusão….” pág. 38
Nesse desejo pela mãe, a criança é então interpelada por uma proibição em relação à essa mãe. Essa, busca em um outro, a satisfação de um amor genital, tornando para a criança uma barreira para seu acesso à posição de único desejo damãe. Freud Chamou essa barreira de proibição do incesto. Na época de Freud esse incesto se referia, oportunamente, ao fato de que o filho não pode desejar sexualmente a mãe (norma social, cultural ou religiosa?) , atribuindo à figura paterna, a função de barrar a relação de cunho sexual mãe-filho. É importante ressaltar que tal recusa como cita Rappaport “não pode vir da mãe, englobada que é noEgo da criança, mas sim de um alguém.”pág. 38
O jogo do Fort-da citado por Freud esclarece a forma da criança lida com o desaparecimento dessa mãe. Ela passa a controlar o desejo pela mãe, que antes tinha o controle de quando ou não aparecer. Essa criança inverte o jogo com a presença da mãe, trata-se da renúncia pulsional que permite ausências.
O Recalque originário é o processo que introduz nosimbólico dessa criança uma metáfora da lei, o nome do pai. A criança passa da dimensão do ser para a dimensão de ter o falo e com isso, dá início a uma operação de linguagem onde ela tenta designar a renúncia ao objeto perdido
O passo então, já que a figura materna é inacessível no campo sexual, é trabalhar o controle simbólico do objeto perdido e entramos então nas definições de metáfora do pai emetonímia do desejo.
Gramaticalmente temos as definições de Metáfora sendo “ Tropo que consiste na transferência de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado.. ” e metonímia “tropo que consiste em designar um objeto por palavras designativas de outro objeto que tem como primeiro uma relação de causa e efeito. Dicionário Aurélio
Psicanaliticamente, os termos acima têm conotações similares apesar de tratarem de aspectos mais profundos. Após a explanação sobre o circuito percorrido pela criança em seus primeiros anos de vida, podemos destacar até aqui, o conceito de Metáfora paterna, como sendo justamente essa troca de significados entre a lei do incesto...
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