Mentiras

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M ichael G ran t

Mentiras
— Um romance da série Desaparecidos —

Tradução
Victor Antunes

Planeta Manuscrito
Rua do Loreto, n.º 16 – 1.º Direito
1200-242 Lisboa • Portugal
Reservados todos os direitos
de acordo com a legislação em vigor
© 2010, Michael Grant
Publicado com autorização de HarperCollins Children's Book,
a division of HarperCollins Publishers
© 2009, PlanetaManuscrito
Título original: Lies: A Gone Novel
Revisão: Clara Joana Vitorino
Paginação: Guidesign
1.ª edição: Maio de 2012
Depósito legal n.º 343 753/11
Impressão e acabamento: Guide – Artes Gráficas
ISBN: 978-989-657-260-0
www.planeta.pt

Diâmetro: 30 quilómetros (20 milhas)
com centro na Central Nuclear

Estra
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Perdido Beach
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e

CAPÍTULO 1

66 horas, 52 minutos

Graffiti obscenos.
Janelas estilhaçadas.
Tags do Bando dos Humanos, o seu logótipo, acompanhando ameaças aos
anormais para que se mantivessem à distância.
Ao longe, no extremo da rua, demasiado distantes para que Sam corresse
atrás deles, estavam dois miúdos que não deviam ter mais de dez anos. Mal se
viam, sob a falsa luz da Lua. Nada mais doque contornos. Os rapazes cambaleavam e bebiam alternadamente de uma garrafa que passavam de um para o outro.
A erva crescia, desordenada, por todo o lado, a rasgar fendas no alcatrão
da rua. Lixo: sacos de plástico de toda a espécie, pedaços de papel, roupas,
sapatos desirmanados, embalagens de hambúrgueres, brinquedos estragados,
garrafas partidas, latas amachucadas – tudo o que não eracomestível – eram
outros tantos amontoados coloridos. Lembranças dolorosas de dias melhores.
Uma escuridão tão profunda que, no passado, teríamos de nos afastar
muito da civilização para sentir algo de remotamente parecido.
Nem um candeeiro ou uma lanterna portátil. A electricidade fora-se. Talvez para sempre.
Já ninguém desperdiçava pilhas. Aliás, já havia muito poucas.
E poucos se atreviam aacender uma vela ou a incendiar um monte de lixo.
Sobretudo depois do incêndio onde arderam três casas e um rapaz ficou tão
queimado que Lana, a Curandeira, precisara de meio dia para o salvar.
A água não tinha pressão. As bocas-de-incêndio estavam secas. Não era
possível lutar contra o fogo, apenas ficar a vê-lo consumir tudo até se extinguir.
Perdido Beach, Califórnia.

13

MichaelGrant

14

Pelo menos dantes era na Califórnia.
Agora era Perdido Beach, na ZRJ. Onde quer que isso fosse, como e porquê.
Sam tinha o poder de produzir luz. Conseguia disparar raios mortais a
partir das mãos. Ou formar bolas de luz persistentes, que pairavam no ar como
candeeiros suspensos. Como relâmpagos presos dentro de uma garrafa.
Mas nem todos gostavam das luzes de Sam, a que chamavamSóis de Sam.
Zil Sperry, o chefe do Bando dos Humanos, tinha proibido os seus seguidores
de usarem essas luzes. E a maior parte dos normais estava de acordo com ele.
Quanto aos outros, os «anormais», nem todos estavam interessados numa
luz brilhante que denunciasse a sua presença.
O medo alastrava de uns para os outros, como uma doença contagiosa.
A s pessoas sentavam-se no escuro, cheias demedo. Sempre cheias de
medo.
Sam estava na zona oriental da cidade, a mais perigosa, que Zil declarara
interdita aos anormais. Mas tinha de mostrar que ainda era ele quem mandava. Que não se deixava amedrontar pela campanha de intimidação de Zil.
Os miúdos precisavam disso. Precisavam de saber que continuava a haver
alguém para os proteger. E que esse alguém era ele.
Tinha resistido adesempenhar esse papel, que acabara por lhe ser imposto
pelas circunstâncias. E estava decidido a desempenhá-lo. Sempre que abrandava um pouco a vigilância, sempre que perdia a concentração, alguma coisa
de mal acontecia.
Era por isso que deambulava pelas ruas às duas horas da madrugada.
Alerta. Para o que desse e viesse.
Sam caminhava ao longo da praia. Não havia ondas, é claro. Já não havia...
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