Mediastinite

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  • Publicado : 15 de agosto de 2012
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1. INTRODUÇÃO


Logo após a segunda Guerra Mundial, houve uma expansão industrial global, e com isso o deslocamento da população rural para os grandes centros urbanos. O resultado da expansão industrial e do aumento populacional urbano corroborou com a deterioração da qualidade de vida da população e no aparecimento das doenças crônico-degenerativas, como por exemplo, a hipertensãoarterial sistêmica, doença arterial ateromatosa coronariana e o diabetes(1).
A deterioração na qualidade de vida e o aparecimento progressivo dessas doenças fizeram com que se desenvolvessem novas técnicas cirúrgicas e com isso a criação de abordagens revolucionárias para cirurgias intracavitárias, como a esternotomia(2).
A incisão do esterno (esternotomia) para poder ter acesso aocoração, foi introduzido por Milton(3) em 1897, e foi difundida por Julian(2) em 1957. Esta técnica foi amplamente utilizada no passado, porém nos dias de hoje tem sido evitado sempre que possível, devido ao seu grande potencial de complicações pós-operatórias.
Procedimentos cardiológicos menos invasivos com cateteres, balões ou abordagens cirúrgicas a partir de reduzidas incisões torácicas temsido priorizados, com o intuito de reduzir a morbidade. Porém essas e outras técnicas menos invasivas possuem limitações em relação à visualização e ao acesso ás estruturas cardíacas(4).
Na cirurgia cardíaca quando é utilizada a esternotomia, podem ocorrer complicações infecciosas e profundas na ferida operatória, denominadas de mediastinite.
Esta complicação é geralmente grave efreqüentemente desastrosa e é temida pela maioria dos cirurgiões.
A mediastinite é definida como Infecção dos tecidos profundos da ferida operatória, associada à osteomielite do esterno, podendo comprometer o espaço retroesternal(5).
Sua incidência varia de 0,2% a 5% pós-cirurgia cardíaca com esternotomia, porém é uma complicação grave com alta taxa de mortalidade, que varia de 14% a 47%dos casos(6). A mediastinite prolonga o tempo de hospitalização e com isso aumenta os gastos hospitalares, podendo chegar a ser três vezes maior que o custo de pacientes com evolução pós-operatória sem complicações(5,6).
A patogênese da mediastinite é complexa e multifatorial. Na literatura, vários fatores de risco foram identificados como: extremos de idade, associação do Diabetes Melito erevascularização do miocárdio utilizando duas artérias torácicas internas, uso indiscriminado de eletro cautério, doença obstrutiva crônica (DPOC), obesidade, uso de drogas beta adrenérgicas, doença coronariana, duração da operação, tempo de circulação extracorpórea (CEC), reoperações por sangramento, ventilação mecânica por mais de 72 horas, tabagismo, entre outras(7).
A etiologiamicrobiana das infecções da ferida esternal varia e inclui bactérias Gram-negativas e gram-positivas, bem como fungos. No entanto, os agentes causais mais comuns envolvidos em infecções da ferida esternal são: Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus aureus, ambos da flora normal da pele(8,9,10).
Os principais sintomas que caracterizam a infecção mediastinal são: febre, leucocitose, feridaoperatória com presença de hiperemia, dor e drenagem de exsudato purulento. Para obtenção de maior precisão no diagnóstico, exames radiográficos devem ser feitos, destacando-se a tomografia com visualização de coleção líquida retroesternal. Entretanto, a coleta de material por punção retroesternal resulta em diagnostico definitivo(6,11).
A terapia para mediastinite varia desde o simples uso deantimicrobianos endovenosos, associados ou não á procedimentos cirúrgicos, até a reconstrução do esterno com cirurgias plásticas(5).
Até 1963 a mediastinite era tratada com desbridamento e ferida aberta, no entanto a cicatrização levava até seis meses e na maioria dos casos era necessário dois ou mais desbridamentos subseqüentes(12).
Uma grande desvantagem do tratamento com a...
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