Marx - o capital

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  • Publicado : 27 de agosto de 2012
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No capítulo XXIV de seu livro O Capital, Karl Marx se dispõe a tratar da gênese e dos processos que levaram à formação da chamada Acumulação Primitiva do Capital. De maneira notadamente lógica, os fatos históricos que contribuíram e serviram a esta acumulação são explanados em subdivisões, sendo a primeira a referente ao "segredo da acumulação primitiva".

Nesse primeiro tópico, é exposta atese de um círculo vicioso que contém a acumulação do capital pressupondo mais-valia, esta por sua vez, pressupõe a produção capitalista que necessita de acumulação de capital. Esse movimento cíclico tem explicação para seu início numa acumulação primitiva, anterior a acumulação capitalista. Esta acumulação seria o ponto de partida do capitalismo.

O entendimento dessa questão nos leva, entreoutros inúmeros benefícios, à luz do esclarecimento de que, o capitalismo que nos é imposto hoje, vêm de um processo que teve início num ponto da história e pela vontade de um grupo humano. Idéia essa bem afastada hoje da realidade, onde parece que tudo acontece por força de um fluxo intangível.

O modo de produção capitalista é alicerçado em certas bases, mas sem dúvida, a primeira distinção a serfeita, segundo Marx, é quanto aos dois lados antagônicos fundamentais do sistema capitalista: de um lado, o proprietário do dinheiro, dos meios de produção e de subsistência, que compra a força de trabalho alheia, cuja motivação essencial é sempre aumentar a soma de valores que possui. De outro lado estão os trabalhadores livres (aqui Marx enfatiza que são considerados livres pois não parte dosmeios de produção, como escravos e servos, mas também não são donos destes meios de produção, como o camponês autônomo), vendedores da força de trabalho. Estes são os dois grandes atores que protagonizam o capitalismo e estabelecido esse cenário, ficam dadas as condições básicas da produção capitalista.

Para que ocorresse a dissociação entre os trabalhadores e os meios de trabalho o processo quecria o capitalismo retira do trabalhador a propriedade desses meios, de modo que transforma em capital os meios sociais de subsistência e converte em assalariados os produtores diretos.

Ao destinar todo um tópico do capítulo à questão da Expropriação dos Camponeses, Marx deixa em evidência que esse é um dos pilares que sustentou a acumulação primitiva. Para tanto, a Inglaterra é tida comoexemplo supremo pois lá se deu a forma clássica de processo de acumulação capitalista.

Colocando os fatos históricos em ordem cronológica e seguindo sua progressão, vê-se que o prelúdio da revolução que criou a base do modo capitalista ocorreu no final do século XV e nas primeiras décadas do século XVI, tempo esse em que com a dissolução das vassalagens feudais foi lançada ao mercado uma massa de mãode obra, indivíduos sem direitos. Embora o recém fortalecido poder real fosse em grande parte fruto das ações dos burgueses, não foram eles, ou o estado, o grande criador dessa leva de despossuídos nessa fase. Ao contrário, quem de fato engrossou as fileiras dos expropriados foram os senhores feudais, aos quais interessava os grandes lucros da criação de ovelhas, destinadas a suprir de lã asmanufaturas que floresciam. Esses senhores feudais, criaram assim um proletariado incrivelmente grande ao expulsar os camponeses de suas terras para transforma-las em pastagens. Eram esses os chamados cercamentos dos campos, ou enclousers. O entendimento desse momento da história serve fundamentalmente pra tirar uma das mais antigas dúvidas de quem se propõe a pensar nossa sociedade de agora: onde foique nós perdemos a referência da terra? Em que momento, nós membros de uma comunidade deixamos de possuir nossa pequena parte da crosta terrestre, que nos era devida por sermos parte dessa comunidade? Existiu um dado momento histórico que reuniu as circunstâncias necessárias para que esse fenômeno tomasse vida, e daí pra cá ficamos desprovidos da terra e inseridos numa roda mercadológica que...
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