Marx: quotidiano e o reflexo

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  • Publicado : 14 de março de 2013
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“Marx: Quotidiano e o Reflexo”


Lukács no texto “Os problemas do reflexo na vida quotidiana” expõe que o reflexo é uma representação ontológica. Ele diz que: “Só o materialismo dialético e histórico se encontrará em situação de elaborar um método histórico-sistemático para a investigação desses problemas.” [1] E diz também: “... Os reflexos científicos e estéticos da realidade objetiva quese tem constituído e diferenciado, cada vez mais finamente, no curso da evolução histórica, e que tem na vida real seu fundamento e sua consumação ultima. Sua peculiaridade se constitui precisamente na direção que exige seu complemento, cada vez mais preciso e completo, de sua função social.”[2]
Ou seja: só através do reflexo é que se pode investigar os problemas com relação à vida quotidiana.E diz também: “Por isso, na pureza - surgida relativamente tarde - em que descansa sua generalidade científica ou estética, constituem os dois pólos do reflexo geral da realidade objetiva; o fecundo ponto médio entre esses dois pólos do reflexo e da realidade próprio da vida quotidiana.”[3] Que quer dizer que o pensamento cotidiano nada mais é que a representação imediata. O pensamento cotidianonão tem total “transparência”, o que dificulta o seu entendimento.
Para Kosik, as manifestações fenomênicas não se revelam por si só, elas apenas se mostram de maneira “superficial”. Se elas se mostrassem “inteiramente”, não haveria a necessidade da ciência para estudar os fenômenos. Kosik chama a praxis utilitária imediata o senso comum.
As manifestações fenomênicas sociais se dão dentro deum contexto historicamente determinado no tempo e no espaço. Quer dizer: não se analisa nenhuma sociedade fora disso. O grau de desenvolvimento da produção determina as formas de sociabilidade. O grau de sociabilidade depende do grau de desenvolvimento do modo de produção, ou seja, quanto mais complexo é o modo de produção mais complexa é a forma de organização da sociedade.
Se a vida cotidianatem uma visão pragmática onde os homens interpretam seu mundo através da manifestação e não de sua essência, isso ele chama de pseudoconcreticidade.
Toda representação do homem está naquilo que Kosik chamou de praxis utilitária, e se dá sempre dentro deste contexto. As coisas se dão de maneira contraditória, até porque a construção da sociabilidade não é uma concepção harmônica, mas simcontraditória, como por exemplo a sociedade capitalista.
Segundo ele, ao mundo da pseudoconcreticidade, ou seja, o mundo que não varia a essência, é constituído por:
1 - O mundo dos fenômenos externos, que se desenvolvem à superfície dos processos realmente essenciais;
2 - O mundo do tráfico e da manipulação, isto é, da praxis feitichizada dos homens, como por exemplo o dinheiro, que é a aparência dovalor, sua manifestação feitichizada.
3 - O mundo das representações comuns, que são projeções dos fenômenos externos na consciência dos homens, produto da praxis feitichizada;
4 - O mundo dos objetos fixados, que é “concebido” como se as coisas sempre tivessem existidos, e não como sendo resultado da atividade social dos homens. É a idéia de que o mundo de hoje, ou seja, a ideologiacapitalista, sempre existiu.
A realidade é concebida como um todo indivisível de entidades e significados, e é implicitamente compreendida em unidade de juízo de constatação e de valor. Tais juízos só são separados para análise. Só mediante a abstração, tomando como ponto de partida o mundo da realidade pleno e inesgotável, se isolam determinadas zonas que o naturalismo ingênuo considera como únicarealidade, enquanto suprimem aquilo que resta como pura subjetividade. Que quer dizer que, no cotidiano, o indivíduo vê as coisas isoladas, desconectadas, sem se dar conta disso.
“A teoria materialista do conhecimento, como reprodução espiritual da realidade, capta o caráter ambíguo da consciência, que escapa tanto ao positivismo quanto ao idealismo. A consciência humana é “reflexo” e ao mesmo...
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