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AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM
SCARPA, Ester Mirian: Aquisição da Linguagem. In.: MUSSALIM,
Fernanda; BENTES, Anna Christina (Orgs.). Introdução à lingüística:
domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001. pág. 203-232.

Conteúdo
1. AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM: BREVÍSSIMO HISTÓRICO E ABRANGÊNCIA ............................................ 1
2. TEMAS E ABORDAGENS TEÓRICAS SOBRE A AQUISIÇÃO DALINGUAGEM .......................................... 3
2.1. O velho debate pendular sobre nature (natureza) versus nurture (criação, ambiente). O inato e
o adquirido. O biológico e o social ....................................................................................................... 3
2.2. O cognitivismo construtivista: Piaget, Vygotsky............................................................................ 6
2.3. 0 interacionismo social .................................................................................................................. 8
3. A QUESTÃO DO "PERÍODO CRÍTICO" .......................................................................................................... 12
4. ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM.......................................................................... 15
5. ALGUMAS CONCLUSÕES ........................................................................................................................... 18

1. AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM: BREVÍSSIMO HISTÓRICO E ABRANGÊNCIA
A linguagem da criança sempre provocou especulações diversas entre leigos ou
estudiosos do assunto. Seja essa linguagem a manifestaçãoimperfeita de um ser
incompleto, seja a expressão primitiva da palavra de Deus, o fato é que relatos mais ou
menos esparsos, porém constantes, têm sido registrados ao longo dos séculos e
chegaram até nós. Tais relatos dizem respeito às primeiras palavras emitidas pelas
crianças, ou a que condições a criança deveria ser exposta para aprender a falai-.
Heródoto, por exemplo, narra que, no século VIIa.C, o rei Psamético do Egito ordenou
que duas crianças fossem confinadas desde o nascimento até a idade de dois anos,
sem convívio com outros seres humanos, a fim de se observarem as manifestações
"lingüísticas" produzidas em contexto de privação interativa. Sua hipótese era que, se
uma criança fosse criada sem exposição à fala humana, a primeira palavra que emitisse
espontaneamente pertenceriaà língua mais antiga do mundo. Ao cabo de dois anos de
total isolamento, as crianças emitiram uma seqüência fônica interpretada como
"bekos", palavra frígia para "pão". Concluiu, então, que a língua que o povo frígio
falava era mais antiga que a tios egípcios.
Estudos sistemáticos sobre o que a criança aprende e como adquire a
linguagem, porém, foram feitos, como tais, apenas maisrecentemente. Desde o século
XIX, alguns lingüistas, guiados tanto por interesse paterno quanto profissional,
elaboraram diários da fala espontânea de seus filhos. Algumas das amostras mais
abrangentes da fala infantil foram registradas nas primeiras décadas deste século
pelos chamados "diaristas", que eram lingüistas ou filólogos estudando seus próprios
filhos. Os mais interessantes deles são umestudo do francês por Antoine Grégoire, um
1

sobre a aquisição bilíngüe alemão-inglês de Wcrner Leopold (1939), além do trabalho
de Lewis (1936), sobre a descrição de uma criança aprendendo o inglês. São trabalhos
descritivos e mais ou menos intuitivos, que, ao contrário das pesquisas aquisicionais
das últimas décadas, não se voltam à procura, nos dados da criança, de evidência em
prol dealguma teoria lingüística ou psicológica, embora se insiram nas teorias
lingüísticas e psicológicas da época (como o de Lewis, com tendência behaviorista).
Esses trabalhos são do tipo longitudinal, uma das metodologias de pesquisa
com dados de desenvolvimento hoje já bem estabelecidos, iniciada exatamente pelos
diaristas. Trata-se do estudo que acompanha o desenvolvimento da linguagem de uma...
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