Marketing

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 19 (4501 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 1 de abril de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
O colapso da pirâmide financeira

O colapso da pirâmide financeira*
Luiz Augusto E. Faria**

A crise internacional e a política brasileira
Economista da FEE e Professor da UFRGS

“In all probability, money remains the weakest link, at any rate in a tangible future. [...] Whatever the answer, in the short run the realm of money appears the most likely to trigger such instabilities as areto come.” Perry Anderson (2007) Numa análise de conjuntura escrita para o número do último bimestre de 2007 da New Left Review, Perry Anderson (2007) enumerou três grandes contradições resultantes da forma como o capitalismo histórico vem se desenvolvendo no começo deste século. Essas contradições impõem à acumulação de capital três tipos de limites: sociais, em razão do aumento da desigualdade, damiséria e da exploração; naturais, em razão da devastação do meio ambiente e do esgotamento de recursos naturais; e monetários, advindos do modo de funcionamento da ordem financeira global, que tende a gerar desequilíbrios monumentais. Dessas três contradições, afirmava que, se tanto a natural como a social não representavam obstáculos intransponíveis no curto prazo, em função de diversosmecanismos em operação capazes de contra-arrestar suas forças mais oponentes ao regime de crescimento vigente, lhe parecia que o limite financeiro seria o primeiro a se manifestar. Ele tinha razão, como ficou claro durante o ano de 2008. Talvez o episódio mais emblemático da crise mundial das finanças, iniciada com o estouro da bolha imobiliária dos EUA, seja a fraude dirigida pelo ex-Presidente
*Artigo recebido em 12 jan. 2009.

** E-mail: Faria@fee.tche.br

da Bolsa Nasdaq, Bernie Madoff, em Nova Iorque. Pirâmides que pagam prêmios fabulosos, financiados pelo dinheiro de ingênuos novos aderentes, são um caso clássico de estelionato, conhecido pelas polícias do mundo há séculos. O interessante do acontecimento é que seja, como lembrou Belluzzo (2009), uma paródia do funcionamento, até hápoucos meses considerado normal, dos mercados financeiros globalizados e de seus “novos produtos” de investimento (derivativos, swaps, colaterais de dívidas, etc.). Todo um edifício de aplicações foi sendo construído sobre diversas modalidades de endividamento apenas sustentável, sob a premissa da continuidade infinita da valorização dos ativos comprados com tais dívidas. Embora o irrealismo dessapremissa seja solar, pois, em algum momento, como ocorreu, o ritmo da valorização iria tornar-se incompatível com a solvência dos créditos vinculados, nenhuma medida preventiva foi adotada. Os mercados permaneceram, desregulados e desreprimidos, em um suposto movimento na direção do equilíbrio e da eficiência que só a má teoria econômica acha possível. A natureza do capitalismo é bem outra. Oexuberante crescimento dos mercados financeiros, espraiado mundo afora desde o final dos anos 1980, terminou exatamente como esperado, num crash de desvalorizações. Iniciado no pólo mais avançado desse processo, o mercado de títulos imobiliários dos EUA, a desinflação de ativos financeiros muito rapidamente veio contaminando todos os demais mercados de crédito, numa onda ainda não terminada. Seusefeitos sobre o setor produtivo já se fazem sentir e, dependendo da capacidade de os governos envolvidos coordenarem respostas eficazes e a tempo, podem adquirir as sinistras proporções da Grande Depressão de 1929. O que chegou a ser tido como uma marola adquiriu a terrível forma de um tsunami, cujas conseqüências devastadoras recém começam a ser percebidas, com efeitos sombrios para a renda e oemprego de quase todas as nações do mundo.

Luiz Augusto E. Faria

O soerguimento e a euforia
O início de tudo situou-se nos primeiros dos anos 1980, quando os governos britânico e norte-americano, comandados pela dupla Thatcher e Reagan, adotaram políticas de desregulação e liberalização das suas praças financeiras. Além das convicções ideológicas neoliberais e dos interesses econômicos que...
tracking img