MARIGHELA E FOUCAULT

345 palavras 2 páginas
Trabalho de ética
Marighela e Foucault
A vida de Carlos Marighela era bastante vigiada e perseguida (enquanto o Brasil ainda chamava Médici de general Garrastazu, o regime parecia inerte diante de sua nêmesis: era ela Carlos Marighela, o Menezes. Tinha-se a impressão de que ele estava em todos os lugares, na capa da revista Veja, nos cartazes amarelos espalhados pelo governo com os retratos dos terroristas mais procurados, nas páginas do Les Temps Modernes, a mais prestigiosa publicação da esquerda francesa). Enquanto isso a ditadura era escancarada e afirmava que a tortura foi um instrumento extremo de coerção e o extermínio, o último recurso da repressão política que o ato institucional n° 5 libertou das amarras da legalidade.
A relação que isso tem com o filósofo francês Michel Foucault é que ele chamou de disciplina ou poder disciplinar a vigilância hierárquica( no sentido de se poder enxergar a tudo e a todos, estabelecendo uma rede, onde todos são observados), a sanção normalizadora(existência de uma modalidade punitiva, na qual os mínimos atos desviantes do indivíduo sejam passíveis de penalização, via correção ou punição),na época da ditadura se alguém ou no caso Carlos Marighela cometessem alguns desvios seria passível de pena e tinham que ser punidos, essa punição seria a tortura, o exame (caracterizado por permitir uma alta visibilidade do indivíduo, intensifica sua individualização mediante sua descrição pormenorizada, destacando suas diferenças frente aos demais sujeitos).
A ditadura envergonhada foi substituída por um regime a um só tempo anárquico nos quartéis e violento nas prisões. Foram os anos de chumbo. Segundo Foucault os métodos disciplinares permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, inaugurando uma anatomia política, circunscrevendo uma relação de extrema sujeição, pois implica no domínio do corpo do outro.

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