Marcha para oeste

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Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História – ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” A MARCHA PARA OESTE DE CASSIANO RICARDO: UM ITINERÁRIO PARA A NAÇÃO. Ms. Carlos Alexandre Barros Trubiliano1 Dr. Carlos Martins Junior2

Resumo: Em 31 de dezembro de 1937 durante a transmissão radiofônica da mensagem de fim de ano a nação o chefe de governo do Estado Novo, GetúlioVargas, lança o programa Marcha para Oeste, sendo este a representação do verdadeiro sentido de brasilidade. A campanha irá contar com a adesão de vários intelectuais dentre eles o jurista, jornalista, escritor, poeta e detentor da cadeira 31 posição 4 da Academia Brasileira de Letras Cassiano Ricardo, que em sua obra Marcha para Oeste: a influência da bandeira na formação social e política do Brasilirá estabelecer uma releitura das bandeiras paulistas do séc. XVIl para legitimar a política varguista de dominação, ocupação e integração do sertão brasileiro ao corpo da pátria. O objetivo dessa comunicação é fazer uma reflexão sobre o discurso contido na referida obra e suas articulações com a proposta estadonovista de colonização do sertão. Palavras-chave: Nação, Fronteira, Estado Novo.

Asúltimas décadas do século XIX e primeiras do séc. XX, foram marcadas por alguns esforços por parte do Estado brasileiro em definir, bem como nacionalizar as suas fronteiras. Nesse sentido, fazia-se necessário integrar regiões limítrofes como Mato Grosso ao corpo da pátria3. Medidas como a construção das linhas telegráficas pela Comissão Rondon de 1892 a 1915, a edificação e ampliação de quartéis e aextensão dos trilhos da Noroeste do Brasil mudariam significativamente o panorama econômico e populacional do Estado, em especial de sua porção sul4.

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(SED /MS) (UFMS/CPAQ) 3 MAGNOLI, Demétrio. O Corpo da Pátria: Imaginação geográfica e política externa no Brasil. (18081912). São Paulo. Ed.UNESP. 1997 4 ALVES, Gilberto Luiz. “Mato Grosso e a História: 1870- 1929. Ensaio sobre a transição dodomínio da casa comercial para a hegemonia do capital financeiro.” Boletim Paulista de Geografia. 1984.p.05-81.

Jacarezinho, dos dias 21 a 24 de Maio de 2008. ISSN: 978-85-61646-01-1 Página 1

Anais do XI Encontro Regional da Associação Nacional de História – ANPUH/PR ”Patrimônio Histórico no Século XXI” Tais ações facilitariam a presença do Estado nacional, o abastecimento e o escoamento demercadorias na região. Dessa forma, Mato Grosso, ainda que precariamente, encontraria-se mais próximo dos grandes centros, como São Paulo. Ao longo dessas novas vias de comunicação e transporte, algumas cidades surgiram ou se desenvolveram, caso de Campo Grande que, de simples povoado, passou paulatinamente a ser o pólo econômico da região sul.5 No entanto, foi a partir de trinta e um de dezembro de1937, que as atenções do Estado nacional sobre Mato Grosso foram redimensionadas. Durante a saudação de fim de ano ao povo brasileiro, o presidente Getulio Vargas anunciou o programa de colonização denominado Marcha para Oeste. Em mensagem radiofônica transmitida para todo o território nacional, o chefe de governo conclamava os brasileiros a rumarem para o Oeste em busca de oportunidades edescoberta de um novo Brasil que, anteriormente explorado pelos bandeirantes, encontrava-se agora esquecido. Para ele:

"O verdadeiro sentido de brasilidade é a Marcha para Oeste. No século XVIII de lá jorrou a caudal de ouro que transbordou na Europa e fez da América o continente das cobiças e tentativas aventurosas. E lá teremos de ir buscar: os vales férteis e vastos, o produto das culturas variadas efartas; das estradas de terra, o metal com que forjara os instrumentos da nossa defesa e de nosso progresso industrial."6

Da perspectiva ideológica do governo Vargas, um dos caminhos para o progresso nacional estaria na efetiva ocupação e integração das várias regiões do interior do país, bem como a exploração de suas riquezas. Integração não apenas territorial, mas racial, moral, cultural e...
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