Livro a etica a nicomaco -aristoteles

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  • Publicado : 25 de setembro de 2011
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LIVRO V

A Ética a Nicômaco é a principal obra de Aristóteles sobre Ética. Nela se expõe sua concepção teleológica e eudaimonista de racionalidade prática, sua concepção da virtude como mediania e suas considerações acerca do papel do hábito e da prudência na Ética.
Em Aristóteles, toda racionalidade prática é teleológica, quer dizer,orientada para um fim (ou um bem, como está no texto). À Ética cabe determinar qual a finalidade suprema (o summum bonum) que preside e justifica todas as demais e qual a maneira de alcançá-la. Essa finalidade suprema é a felicidade (eudaimonia), que não consiste nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa vida virtuosa. A virtude, por sua vez, se encontra num justo meio entre osextremos, que será encontrada por aquele dotado de prudência (phronesis) e educado pelo hábito no seu exercício.
Vale destacar aqui que a virtude, na época dos gregos, não é idêntica ao conceito atual, muito influenciado pelo cristianismo. Virtude era no sentido da excelência de cada ação, de fazer bem feito, na justa medida, cada pequeno ato.CAPÍTULO 1

Agora, passemos a tratar da justiça. Devemos indagar com que espécie de ações se relacionam elas, que tipo de meio-termo é a justiça, e entre quais extremos o ato justo é o meio-termo.
Segundo a opinião geral, a justiça é a disposição de caráter que torna as pessoas propensas a fazer o que é justo, e as faz agir justamente e a desejar o queé justo. Por analogia, a injustiça é a disposição que leva as pessoas a agir injustamente e a desejar o que é injusto.
Examinemos primeiramente o que vem a ser uma pessoa injusta. Tanto o que infringe a lei quanto o ganancioso e ímprobo são injustos e, em contraposição, o que cumpre a lei e é honesto, é justo. Desse modo, como o descumpridor da lei é injusto e que a cumpre éjusto, obviamente todos os atos conforme à lei são atos justos em certo sentido, posto que os atos prescritos pela arte do legislador são conforme à lei, e dizemos que cada um deles é justo. Além disso, são justos os atos que produzam e preservem a felicidade e seus elementos para a política. A justiça é considerada a maior das virtudes. É a virtude completa, pois ela é exercida sobre quem apossui e também ao próximo. É importante salientar as palavras de Bias, um dos Sete Sábios da Grécia: “O exercício do poder revela o homem”.
A lei determina que pratiquemos atos de pessoas corajosas, temperante e calmo, e assim por diante com relação às outras virtudes, na linha da medianidade. Entretanto, apenas a lei bem elaborada faz essas coisas retamente, ao passo que asleis elaboradas às pressas não o fazem assim tão bem.
A justiça não é uma parte da virtude, e sim a virtude inteira. Da mesma forma, a injustiça não é uma parte do vício, mas o vício inteiro.

CAPÍTULO 2


Todos os atos injustos são sempre atribuídos a alguma espécie de deficiênciamoral. Há que se ressaltar a existência de mais de uma espécie de injustiça: a injustiça no sentido amplo e uma injustiça de modo particular. A investigação ética deve buscar aquela que se distingue da virtude no pleno sentido da palavra. Tudo que é probo é legítimo, mas nem tudo que é legítimo é probo. Em relação à justiça parcial, uma classe se manifesta nas coisas que a serem divididas entrequem tem parte na constituição. Outra tem um papel corretivo nos negócios humanos, tanto os voluntários como os involuntários.

CAPÍTULO 3
Como já foi mostrado que tanto a pessoa quanto os atos injustos são ímprobos ou iníquos, fica claro que há também um ponto intermediário entre essas duas iniqüidades – a chamada...
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