Linguagem da modernidade na literatura em língua portuguesa

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  • Publicado : 25 de março de 2012
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Introdução
Neste trabalho podemos notar a dramaticidade que há nos poemas retratados dos diversos escritores como vistos a seguir: Canção do vento e da minha vida – Manuel Bandeira; Aniversário – Fernando Pessoa; Difícil ser funcionário - João Cabral de Melo Neto; Minha Mãe – Vinicius de Moraes. Retratam histórias de vida distintas, que refletem em nosso cotidiano, nos trazendo exemplos dediversas situações de vida.
As Crônicas nos transmitem mensagens de temas bastante discutidos em nossa sociedade, tais como: A discriminação, contida na crônica “Negrinha”; O Universo poético, em “O Livro da Solidão”; e o discurso de um homem que não aceita mudanças em sua estrutura de vida, em “A de Sempre”.
Os Contos, narram histórias de amor, vidas sofridas e a importância das belezas que sãodestruídas pelo ódio, violência, insensibilidade e a falta de amor dos humanos, contidos em: “Vestida de Preto”; “Presépio” e “Nem a Rosa nem o Cravo”.
Também podemos saber um pouco mais da vida dos escritores, através de suas Biografias.

Poemas

Canção do vento e da minha vida
Manuel Bandeira
O vento varria as folhas,
o vento varria os frutos,
o vento varria as flores...

E a minha vidaficava
cada vez mais cheia
de frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
o vento varria as músicas,
o vento varria os aromas...

E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
e varria as amizades...
o vento varria as mulheres.

E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de afetos e de mulheres.

O ventovarria os meses
e varria os teus sorrisos...
o vento varria tudo!

E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de tudo.
Conclusão
O poema fala sobre a ação destruidora do vento, que revela os vazios deixados em sua vida, que são preenchidos pela poesia, capaz de transformar algo que a princípio era perda num resgate de tudo. Os elementos de perda citados são frutos, flores, folhas, luzes,músicas, aromas, sonhos, amizades, mulheres, meses, sorrisos, o que comprova a afirmação de que a poesia está em “tudo”.

Aniversário
Fernando Pessoa
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em quefestejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões demeia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hojeé terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nosdentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com mais       copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não...
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