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O poema abaixo é de Ana Cristina Cesar, retirado do livro “Inéditos e dispersos”, da
Editora Ática.
Artimanhas de um gasto gato
Não sei desenhargato.
Não sei escrever gato.
Não sei gatografia
Nem a linguagem felina das suas artimanhas
Nem as artimanhas felinas da suanão-linguagem
Nem o que o dito gato pensa do hipopótamo (não o de Eliot)
Eliot e os gatos de Eliot (“Practical Cats”)
Os que não sei
e nuncaescreverei na tua cama.
O hipopótamo e suas hipopotas ameaçam gato (que não é hopogato)
Antes hiponímico.
Coisa com peso e forma de peso
e o nome dogato?
J. Alfred Prufrock? J. Pinto Fernandes?
o nome do gato é nome de estação de trem
o inverno dentro dos bares
a necessidade quente detê-lo
onde vamos diariamente fingindo nomear
eu – o gato – e a grafia de minhas garras:
toma: lê o que eu escrevo em teu rosto
a parte que em ti éminha – é gato
leio onde te tenho gato
e a gatografia que nunca sei
aprendi na marca no meu rosto
aprendi nas garras que tomei
e me torneiparte e tua – gata – a
saltar sobre montanhas como um gato
e deixar arco-irisado esse meu salto
saltar nem ao menos sabendo que desenho
eescrita esperam gato
saltar felinamente sobre o nome de gato
ameaçado
ameaçado o nome de GATO
ameaçado o nome de GASTO
ameaçado de morrer nagastura de meu nome
repito e me auto-ameaço:
não sei desenhar gato
não sei escrever gato
não sei gatografia
Nem…
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