Karl marx

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Karl Marx, A chamada acumulação primitiva, In: O Capital, Livro 1, vol. 2, Cap. XXIV.
1. O segredo da acumulação primitiva
Vimos como o dinheiro se transforma em capital, como se produz mais valia com capital, e mais capital com mais valia. Mas, a acumulação do capital pressupõe a mais valia, a mais valia a produção capitalista [mais valia = produção capitalista, mas como se chegou até aqui,qual o segredo?], e esta a existência de grandes quantidades de capital e de força de trabalho nas mãos dos produtores de mercadorias. Todo esse movimento tem assim a aparência de um circulo vicioso do qual só poderemos escapar admitindo uma acumulação primitiva, anterior à acumulação capitalista (“previous accumulation”, segundo Adam Smith), uma acumulação que não decorre do modo capitalista deprodução, mas é seu ponto de partida.
Como os meios de produção e os de subsistência, dinheiro e mercadoria em si mesmos não são capital [quer dizer, dinheiro e mercadoria podem existir sem (ou antes) o modo de produção capitalista]. Tem de haver antes uma transformação [do dinheiro em capital] que só pode ocorrer em determinadas circunstâncias. Duas espécies bem diferentes de possuidores demercadorias têm de confrontar-se e entrar em contato: de um lado, o proprietário de dinheiro, de meios de produção e de meios de subsistência, empenhado em aumentar a soma de valores que possui, comprando a força de trabalho alheia, e, de outro, os trabalhadores livres, vendedores da própria força de trabalho e, portanto, de trabalho. Trabalhadores livres em dois sentidos, porque não são parte diretados meios de produção, como escravos e servos [são “livres”] e porque não são donos dos meios de produção, como o camponês autônomo, estando assim livres e desembaraçados deles. Estabelecidos esses dois pólos do mercado, ficam dadas as condições básicas da produção capitalista. O sistema capitalista pressupõe a dissociação entre os trabalhadores e a propriedade dos meios [de produção] pelos quaisrealizam o trabalho. (...) O processo que cria o sistema capitalista consiste apenas no processo que retira ao trabalhador a propriedade de seus meios de trabalho, um processo que transforma em capital os meios sociais de subsistência e os de produção [terra, alimentos, vestuário, ferramentas de trabalho etc., tudo que antes era produzido e pertencia ao trabalhador na sociedade feudal] e converteem assalariados os produtores diretos. A chamada acumulação primitiva é apenas o processo histórico que dissocia o trabalhador dos meios de produção. É considerada primitiva porque constitui a pré-história do capital e do modo de produção capitalista.
A estrutura econômica da sociedade capitalista nasceu da estrutura econômica da sociedade feudal. A decomposição desta liberou elementos paraformação daquela.
O produtor direto, o trabalhador, só pode dispor de sua pessoa depois que deixou de estar vinculado à gleba e de ser escravo ou servo de outra pessoa. Para vender livremente sua força de trabalho, levando sua mercadoria [a sua força de trabalho] a qualquer mercado, teve ainda de livrar-se do domínio das corporações, dos regulamentos a que elas subordinavam os aprendizes e oficiais edas prescrições com que entravavam o trabalho. (...) Mas os que se emanciparam só se tornaram vendedores de si mesmos depois que lhe roubaram todos os seus meios de produção e os privaram de todas as garantias que as velhas instituições feudais asseguravam a sua existência. E a história da expropriação que sofreram foi inscrita a sangue e fogo nos anais da humanidade.
O processo que produz oassalariado e o capitalista tem suas raízes na sujeição do trabalhador. O progresso consistiu numa metamorfose dessa sujeição, na transformação da exploração feudal em exploração capitalista. Para compreender sua marcha, não precisamos ir muito longe na história. Embora os prenúncios da produção capitalista já apareçam, nos séculos XIV e XV, em algumas cidades mediterrâneas, a era capitalista data...
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