Julgamento nuremberg

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  • Publicado : 7 de outubro de 2011
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Entre o Lógico e o Justo "Julgamento em Nuremberg" (61) é uma obra ímpar, com um elenco soberbo, um roteiro tocante e um tema de profunda seriedade, expondo corajosamente o grande dilema entre a aplicação da justiça sobre os juízes nazistas responsáveis pela condenação de milhões de pessoas inocentes na 2ª Guerra Mundial; em oposição a crescente pressão política dos capitalistas, temerosos peloavanço comunista sobre a derrotada Alemanha nos primórdios da subjetiva "Guerra Fria". O filme conta a história fictícia do julgamento em 1948 dos líderes nazistas pelos crimes na 2ª Guerra de uma maneira fria, cruel e muito elucidante dos trágicos eventos ocorridos na Alemanha e os supostos responsáveis. Mas, também de uma maneira paternalista, com aquela visão americana dos fatos, em que tenta sepassar à idéia de que os Estados Unidos são os verdadeiros heróis e juízes de toda a humanidade. Afinal, mesmo não sendo o país ideal para realizar um filme com tal conteúdo, é um filme que somente os Estados Unidos poderiam realizar com tal qualidade e investimento. O juiz Dan Haywood (Spencer Tracy, 1900-1967), morador do pequeno estado do Maine, interior dos Estados Unidos, é designado parachefiar o Julgamento devido à recusa de vários grandes juízes. Em toda a sua estada em Nuremberg, Haywood procura esclarecer fatos e dúvidas e ouve muitas histórias do período negro da história mundial. Desde as reminiscências do casal de criados alemães, até as amarguras da nobre e elegante Madame Bertholt (Marlene Dietrich, 1901-1992), que procura sempre mostrar que a Alemanha não é só crueldade eterrorismo. Ao longo de 178 minutos, o juiz Haywood vive o dilema de julgar um dos maiores casos da história sem se deixar levar por emoções ou opiniões próprias. A história ganha veracidade e força com cenas maravilhosas de tribunal. Em uma delas é exibido um filme avassalador que relembra os momentos de sofrimento e barbárie que sofreram os judeus nos campos de concentração, especificamente emDachau e Belsen Buchenwald. São imagens fortíssimas de pessoas vivendo em condições sub-humanas aguardando serem assassinadas em grandes fornos ou em chuveiros que emitiam gases letais. Foram 2/3 dos judeus da Europa exterminados pelos alemães, de todos os países, principalmente, Holanda, França, Eslováquia, Grécia, Alemanha, Hungria e Polônia. Outra forma desumana encontrada pelo governo alemãode punir os "não aptos" foi a esterilização sexual. Pessoas comuns ficavam impossibilitadas de reproduzirem e os traumas eram irreparáveis. O grande dilema que persistia naquele momento singular da história mundial, pode ser percebido nos constantes questionamentos e comentários dos personagens ao longo do filme, como por exemplo: "... o mais importante é sobreviver, não é? Dá melhor formapossível, mas sobreviver.", dita pelo Brigadeiro Gal. Matt Merrin (Alan Baxter, 1908-1976); "... Qual foi o motivo dessa guerra (fria)?"; "No nosso país o medo da guerra é revivido... e devemos cuidar mais uma vez das nossas defesas. Fala-se em Guerra Fria, enquanto pessoas morrem em guerras reais. E os ecos da perseguição e atrocidades... não serão silenciados? ... É o dilema dos nossos tempos.", ditaspelo Coronel Edward Lawson (Richard Widmark, 1914); "Temos que saber perdoar, pois é impossível sobreviver com ódio no coração", dita por Madame Bertholt (Marlene Dietrich); "... chegou àquilo (o extermínio de milhões de judeus nos campos de concentração) da primeira vez que você condenou à morte um homem inocente.", dita pelo Juiz Dan Haywood (Spencer Tracy) ao Juiz nazista Ernst Janning (BurtLancaster, 1913-1994) no diálogo final. Mas a intenção do diretor e produtor Stanley Kramer (1913-2001), ao elaborar "Julgamento em Nuremberg", não estava só em relatar as atrocidades ocorridas durante o Governo Nacional Socialista da Alemanha na Segunda-Grande-Guerra e muito menos puni-lo nas pessoas dos seus juízes. Não que o Nazismo não merecesse tal punição, mas o que Kramer realmente queria...
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