Juadaismo

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Sinagoga Kahal Zur Israel: Guardiã de Memórias do Judaísmo.
Entre o Sagrado e o Profano Tânia Neumann Kaufman1

Introdução
Neste artigo trataremos dos aspectos do sagrado e do profano da cultura judaica, inseridos no plano de musealização implantado e implementado no Centro Cultural Judaico de Pernambuco em 2001. Esta entidade, projetada como um complexo cultural, composto por um memorial dapresença judaica em Pernambuco no século XVII, reconstituição da Primeira Sinagoga das Américas, a Kahal Kadosh Zur Israel – A sagrada Congregação Rochedo de Israel e sede do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. Por se tratar de um patrimônio inserido num campo de informações denso, plural, não suficientemente conhecido e divulgado, foi preciso explorar nas divulgações as narrativas do campohistórico-antropológico que guardaram resíduos materiais e imateriais “disfarçados” por mais de três séculos na historiografia brasileira. Por isso, ao focalizarmos os documentos que guardam as informações sobre o sagrado e o profano do judaísmo no Nordeste do Brasil visando esclarecimentos, uma indagação é recorrente: Quem és tu? Como posso conhecer-te? A reação imediata é explorar os recursosdisponíveis para buscar nos materiais disponíveis os vestígios da realidade na experiência passada dos próprios atores: os cristãos-novos e os judeus. Identificados cronologicamente e situados no espaço, investimos na criação de categorias para a construção de estratégias que favorecem diálogos interdisciplinares com a Museologia. Para trazer o passado para o presente, de forma inteligível,“escutamos” não somente as narrativas da História, mas, também, o imaginário popular da região como repositório de costumes e tradições judaicas. Documentos e iconografias foram contextualizados nos espaços da memória sócio-cultural e suas representações. As alteridades que definem as fronteiras do “outro”, do “diferente”, dos “excluídos” ganham espaço na linguagem utilizada para oferecer ao público umarelação interativa com o patrimônio judaico. Concluída a fase da intervenção patrimonial para recuperação física da edificação e formalizado o Centro Cultural Judaico de Pernambuco, o passo seguinte foi pensar como criar uma atmosfera de musealidade

Tânia Neuman Kaufman. Doutora em História, Mestre em Antropologia e Graduada em Ciências Sociais. Presidente do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco.Professora e Pesquisadora no PPGA/UFPE – Programa de Pós-graduação em Antropologia

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que, na associação entre cultura e conhecimento, pudesse gerar novos parâmetros na representação da realidade contida na herança do judaísmo. As metas estratégicas para atingir os objetivos e finalidades envolveram as seguintes questões: Como poderiam ser criadas formas adequadas de interpretação,linguagem especial e divulgação que favorecesse uma ligação direta entre o expectador e os bens alvo das ações de patrimonialização sobre o sagrado e o profano do judaísmo? O que é sagrado no judaísmo e o que transita pelo mundo profano? Como a cultura judaica se dispersa e compartilha da cultura local como fato museológico? Este foi o desafio do AHJPE ao perceber a amplitude e diversidade do patrimônioem questão – bens intelectuais, manifestações religiosas, tradições e outras formas “do fazer” do homem dentro do seu aparato cultural. Também, sempre foi instigante a progressão constante da demanda por conhecimentos mais específicos sobre o judaísmo que exigiam, por sua vez, uma diversificação das ações voltadas para trazer o sagrado para o espaço profano no cotidiano dos museus. Hoje os museussão fontes ainda não totalmente exploradas de produção de conhecimento. Estimulados por esta perspectiva é que no espaço reconstituído e devolvido à cidade sob a forma de um patrimônio histórico-cultural, desde 2000, vimos trabalhando a memória do sagrado trazendo-a para diferentes espaços do profano como forma de incluir na história de Pernambuco uma passagem significativa de sua formação...
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