Jonh bowlby - danos produzidos pela privação

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  • Publicado : 23 de novembro de 2012
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Danos produzidos pela privação materna

São inúmeras as fontes que nos dão provas de que a privação do amor materno, na primeira infância, pode ter efeitos duradouros sobre a saúde mental e o desenvolvimento da personalidade humana.
Os estudos diretos deixam claro que, quando uma criança é privada dos cuidados maternos, seu desenvolvimento é quase sempre retardado, física, intelectual,emocional e socialmente, e que podem aparecer sintomas de doença física e mental. Todas as crianças com menos de sete anos parecem estar sujeitas a este risco, e alguns dos efeitos são claramente perceptíveis nas primeiras semanas de vida de muitos bebês.
Não se conhece claramente a razão pela qual algumas crianças ficam prejudicadas e outras não. Pode ser que fatores hereditários exerçam algum papel,mas é importante rever que o que se sabe sobre o efeito de influências como a idade da criança, a duração e especificamente, o grau de privação.
Um grande número de pesquisadores estudou detalhadamente os efeitos da privação de cuidados maternos em bebês de instituições. E esses pesquisadores renomados chegaram à conclusão quanto ao fato de que o desenvolvimento da criança que vive eminstituições está abaixo da média desde antes de dois meses de idade. Entre os sintomas observados, constatou-se que o bebê que sofre privação pode deixar de sorrir para outras pessoas ou de reagir quando alguém brinca com ele, pode ficar sem apetite ou apesar de bem nutrido, pode não engordar, dormir mal e não demonstrar iniciativa.
Um estudo muito cuidadoso do choro e do balbucio dos bebês mostrou que osque se achavam num orfanato, desde o nascimento até os seis meses de idade, vocalizavam sempre menos do que os que viviam com famílias, podendo-se notar claramente a diferença já antes dos dois meses de idade. Este atraso na fala é especialmente característico da criança em instituição, em qualquer idade.
Vejamos outro estudo de bebês à espera de adoção. Foram testados bebês, sendo que 83 deleseram criados em instituição e 39 em lares substitutos, quando tinham cerca de seis meses. Todos eles haviam sido entregue aos cuidados da sociedade desde os dois meses de vida. As crianças das instituições ficavam em um grande berçário com acomodações para dezessete bebês; eram cuidadas por um total de dez atendentes, nunca estando presentes menos de duas de cada vez. Os resultados dos testes foramligeiramente abaixo para as crianças das instituições.
Não se pode haver engano quanto à convergência destas descobertas. Seu valor é frequentemente questionado, alegando-se que muitas crianças de instituições nascem de pais pouco dotados, física e mentalmente. Assim, a hereditariedade poderia muito bem responder por todas as diferenças.
Existem demonstrações muito claras de que, quanto maislonga a privação, mais acentuada é a queda no desenvolvimento da criança. Em segundo lugar, existem provas experimentais de que, mesmo quando uma criança permanece na instituição, os efeitos prejudiciais podem ser diminuídos através de cuidados maternais extras, prestados por uma substituta. Há cerca de vinte anos, foram estudados dois grupos de crianças de dois anos que viviam numa mesmainstituição. Um dos grupos recebeu pouco carinho, embora fosse adequadamente cuidado em todos os outros aspectos; o outro grupo contou com uma atendente para cada criança e não lhe faltou nem carinho e nem afeto. Após seis meses, o primeiro grupo apresentava-se mental e fisicamente atrasado em relação ao segundo.
Finalmente existem provas de mudanças consideráveis no estado de uma criança após recuperar amãe. Um especialista em crianças observa:
É surpreendente a rapidez com que começam a desaparecer os sintomas de hospitalismo, quando um bebê angustiado é colocado num bom lar. O bebê imediatamente fica mais animado e ativo; se apresentava febre no hospital, esta desaparece num período de vinte e quatro a setenta e duas horas, o peso aumenta e a cor melhora.
Cita como exemplo um menino...
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