Jean paul sartre

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Jean-Paul Sartre - liberdade e responsabilidade
Jean-Paul Sartre (1905-1980) nasceu e viveu em Paris. Homem que atuava em diversas frentes, Sartre escreveu romances, peças de teatro, fez crítica literária, escreveu sobre cinema, pintura e inúmeras outras coisas. Sartre ficou célebre não só por seus escritos, mas por seu engajamento em causas libertárias. O filósofo sempre se posicionou sobre osacontecimentos de seu tempo, não abrindo mão de seus pontos de vista e aliando suas ações as suas próprias ideias filosóficas. No plano filosófico, seu nome é ligado a importantes vertentes teóricas como a de Hegel, Kierkegaard e Nietzsche, no século XIX; e a de Husserl e Heidegger no século XX. Todavia, foi com as ideias dos últimos, os fenomenólogos alemães, que Sartre teve uma relação maisestreita, inclusive indo à Alemanha fazer um curso com Husserl. De volta à França, Sartre procurou refletir as perspectivas fenomenológicas não a partir de categorias metafísicas, mas a partir da concretude da vida cotidiana, tomando como referência os homens comuns do dia a dia, dos cafés dos quais era frequentador assíduo e da vida comum de maneira geral. Daí Sartre deu origem a um pensamentooriginal, que levou suas ideias a serem chamadas de existencialistas.

Liberdade e responsabilidade
Como possivelmente você deve saber, não foi Sartre quem deu a si mesmo e a sua teoria esse “rótulo” de existencialista. A mídia passou a usar o termo “existencialismo” para referir-se à jovem geração de filósofos franceses que surgiam no pós-guerra, e, dada a grande dimensão que suas ideias atingiam,Sartre se destacava entre todos eles. Sartre só veio a assumir o “rótulo” de existencialismo quando já era consagrado e realizou a conferência O existencialismo é um humanismo, em 1945. Vejamos uma das passagens célebres do texto:

"O que significa, aqui, dizer que a existência precede a essência? Significa que, em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e sóposteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem é tão somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após aexistência, como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo." (SARTRE, J.-P. O existencialismo é um humanismo. Parágrafo 8. Tradução de Rita Correia Guedes. Fonte: L’Existentialisme est un Humanisme. Paris: Les Éditions Nagel, 1970. Disponível aqui .)
Link referente ao texto acima -http://www.bonachela.com.br/epicuro.htm
Existência e essência
Como você viu na citação anterior, Sartre é enfático ao dizer que “primeiro o homem existe, encontra a si mesmo no mundo, e somente depois se define”, tal é seu argumento contra a ideia de que existe uma “essência que define a existência” do homem. Como se trata de uma conferência, em O existencialismo é um humanismo o filósofo traz umargumento simples para ilustrar sua ideia. Ele dá o exemplo do industrial e do corta-papel. Ora, diz Sartre, antes de o industrial, ou artífice se quisermos, fabricar o corta-papel, ele já possui em seu espírito a ideia, o conceito, de tal objeto, daí o que ele faz é empregar uma técnica para materializar aquilo que deseja.
Se pensarmos essa mesma relação entre Deus e o homem, continua Sartre,veremos que se Deus é criador do homem, que se Ele concebia o homem em seu espírito como uma ideia a ser realizada, chegaremos à conclusão de que antes de existir no mundo, já se existia uma ideia prévia de homem, quer dizer, uma essência que determinou sua existência. É exatamente contra essa ideia que Sartre argumenta, e não tanto contra a ideia da existência de Deus. Para Sartre, em linhas...
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