Introducao ao pensamento geografico

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A GEOGRAFIA NO CONTEXTO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS EM PERNAMBUCO*
Manuel Correia de Andrade

O objeto de reflexão
Estabelecendo o objeto de reflexão, procuramos delimitar no espaço e no tempo o que seria a Geografia e quais as relações por ela mantidas com as várias ciências naturais e sociais que lhe estão próximas e que, muitas vezes, se interpenetram. Levaremos em conta que uma ciência não podeser contida dentro de um estado ou de um país, em face da coexistência de princípios gerais, comuns às várias regiões, e aqueles restritos a uma região ou até a um estado. O conhecimento científico não é limitado no tempo, devido à própria evolução do processo de
* Agradeço a Thais Correia de Andrade a cessão do texto inédito e a Silke Weber pela intermediação para a publicação neste periódico[N.E.}

Artigo recebido e aprovado em agosto/2007

apropriação do espaço, da evolução dos processos de reflexão e do avanço tecnológico. Não se pode esquecer também que o processo está em mudança constante e que o conhecimento já armazenado vai absorvendo novos conhecimentos, assimilando-os e transformando-se. E, se o conhecimento necessita ser transformado continuamente, ele não prescinde daprodução do passado para absorver o novo sem nenhuma vinculação anterior. Daí, a grande importância da universidade como Casa, ao mesmo tempo, de produção e transmissão de conhecimento, de estância, onde se procura comparar as experiências importadas de outras nações, examinando quando e como devem ser assimiladas ou rejeitadas. No caso da Geografia, que se expandiu e despertou grande interesse noséculo XIX, ela se apresentou muito dependente das divisões político-administrativas e muito preocupada com o mais variado acervo de informações que a transRBCS Vol. 22 nº. 65 outubro/2007

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REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - VOL. 22 Nº 65 .
vez que já, em 1890, havia sido traduzido para o português e publicado no nosso país a parte da Geografia Universal referente ao então EstadosUnidos do Brasil e, em Portugal, o livro do Pierre Denis O Brasil no século XX, que dava grande importância às atividades econômicas na interpretação do espaço geográfico. Mantendo uma certa fidelidade à “velha” geografia, atuou na imprensa pernambucana, durante décadas, o historiador Mario Melo, que publicou uma Corografia de Pernambuco e uma Hidrografia, também de Pernambuco, listando acidentesgeográficos por ordem alfabética e chamando de “cordilheiras” a formação montanhosa de porte modesto que se erguia sobre o maciço da Borborema. Eram, porém, contribuições muito válidas para a época em que foram publicadas. Em 1921, surgiu um livro marcante, a tese com que o político, Agamenon Magalhães, disputou a cadeira de Geografia Geral do Ginásio Pernambucano. Tese em que procurou caracterizaro Nordeste brasileiro, baseando-se nos ensinamentos dos mestres franceses de então: Vidal de la Blache, Camille Vallaux, Jean Brunhes. Foram discípulos desses mestres, Pierre Deffontaines, Pierre Mombeig e Francis Ruellan, que revolucionaram a geografia brasileira nos anos de 1940, introduzindo o que se convencionou chamar de geografia moderna, ou científica. O grande impacto sobre a geografiapernambucana e brasileira, porém, foi causado, nos anos de 1920 e 1930 pelo antropólogo Gilberto Freyre que, após cursos de graduação e de mestrado nos Estados Unidos e viagens de contatos e pesquisas na Europa, voltou ao Brasil e procurou revolucionar, a partir da cidade do Recife, a forma de ver e de sentir o país e a região. Ele trouxe como novidade científica as idéias de regionalismo, detradicionalismo – sem que a tradição confrontasse a modernização –, de ecletismo cultural e religioso e preocupações ecológicas. Idéias que lhe foram transmitidas, em grande parte, por Boas, seu mestre em Columbia, e ele próprio um grande conhecedor da geografia. Entre os seus livros famosos, pode-se destacar Nordeste, no qual estuda a forma como a cultura da cana-deaçúcar avançou pela porção oriental...
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