Idosos, jovens, adultos e o analfabetismo no campo: fatores que promovem a exclusão educacional

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  • Publicado : 4 de abril de 2013
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JUSTIFICATIVA
Analisar os fatores que promovem as diferenças educacionais no que se refere às zonas rurais e urbanas é de fundamental importância para a construção de políticas publicas que amenizem esses contrastes, contribuindo para a eliminação em longo prazo dos processos históricos que originaram esse grave problema social.

INTRODUÇÃO
Tradicionalmente aeducação para as praticas pedagógicas vigentes, se restringe ao tríduo infância, adolescência e fase adulta, excluindo dos seus aparelhos pedagógicos a educação para os idosos. Neste cenário podemos nos questionar quais os fatores que delegam ao sistema educacional um caráter tão excludente, porque a sociedade baseia o seu inventario educacional na zona urbana relegando ao esquecimento a zona rural ondese encontra a grande maioria dos idosos não alfabetizados.
A sociedade urbano-industrial capitalista vê o meio rural como um mero coadjuvante da vida urbana, e isso é visivelmente refletido nas tentativas do Estado quando se propõe a inserção educacional no meio rural, no qual utilizam currículos e conteúdos pertencentes ao contexto da vida urbana distante da realidade da vida rural além daprecariedade das estruturas das escolas que são disponibilizados no campo.
No Brasil é no meio rural que se apresentam os mais baixos números de escolaridade. Segundo o INEP, os dados apresentados no projeto Panorama da Educação no Campo (2007) apontam um índice de 3,4 anos para a escolaridade de jovens com 15 anos ou mais que vivem no meio rural, quando comparados ao índice estimado paraa população urbana que é de 7 anos. Ao observar o cenário do analfabetismo nessa população os dados do IBGE (Censo 2010) apontam um índice de 23,2% no campo enquanto no meio urbano essa taxa cai para 7,3%, evidenciando os índices elevados e bastante preocupantes em função das taxas de analfabetismo no país. Esses são apenas poucos dos inúmeros indicadores que evidenciam a precariedade educacionalem que vivem a população rural do Brasil.
Entre a população com mais de 60 anos, o IBGE (Censo 2000) verifica que a o percentual de analfabetismo é de 34,6% levando em conta, segundo o estudo, que a grande maioria dessa população vive no meio rural tal numero reflete o estado de suplicio o qual se encontra a educação neste grupo populacional, uma vez que de acordo com o PNAD (2007) opercentual de analfabetismo entre idosos aumenta nas cidades do interior dos estados e diminui nas capitais.
Esses índices engrossam ainda mais as estatísticas referentes ao problema educacional brasileiro, entretanto devemos lembrar que isto é um problema histórico, a deficiência no acesso a educação no meio rural é um problema crônico do sistema não amenizado pelos programas educacionaisque remetem desde o período da ditadura militar programas esses que promoviam uma espécie de “educação em massa”.
Historicamente o homem do campo está excluído da educação formal, na Grécia Antiga “cidadãos” eram aqueles que tinham acesso à Pólis onde se tomavam as decisões políticas e reflexões filosóficas, a própria palavra “civilizado” refere-se àquele que vive nas cidades e tem acesso aessas deliberações e pensamentos filosóficos racionais. Com a industrialização, ocorrida na Europa a partir do século XVIII, a oposição entre o rural e o urbano foi ainda mais potencializada, no que se refere à educação, era necessário educar para atender as necessidades do trabalho industrial característico das cidades. O campo por sua vez ficaria excluído do projeto capitalista de educação dasociedade industrial que surgia. Dessa forma é importante notar que o homem educado da sociedade moderna seria sinônimo de homem civilizado enquanto que designações de caráter depreciativo como atrasado, ignorante, caipira, matuto, entre outros seriam associados ao homem do campo. PERES (2009).
Vemos então que a relação entre educação e meio rural é tão contraditória quanta educação e...
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