Ideb sinal amarelo

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  • Publicado : 2 de dezembro de 2012
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O sinal amarelo do Ideb Carolina Mainardes Logo após a divulgação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, em agosto deste ano, “acendeu-se um sinal amarelo, de preocupação”, admite César Callegari, secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC). Embora a meta prevista para o Ideb 2011 tenha sido atingida, o alerta surgiu porque o ensino médioestá estagnado no Brasil. A análise é possível quando se considera os outros níveis de ensino avaliados pelo indicador – os anos iniciais e os anos finais do ensino fundamental. Enquanto nos anos iniciais do ensino fundamental a pontuação foi de 5,0 – 0,4 pontos a mais do que a meta de 4,6 –, e, nos anos finais, ficou em 4,1, ultrapassando a meta de 3,9 em 0,2 pontos, o ensino médio foi a única etapaa não superar a meta estabelecida pelo governo: ficou nos estimados 3,7 pontos. “Fizemos uma reunião com os secretários estaduais da Educação e organizamos um conjunto de procedimentos para o estudo de medidas que possam melhorar o currículo e as condições de desenvolvimento do ensino médio em todo o Brasil”, comenta Callegari. Uma equipe de professores acadêmicos em Educação Escolar da Faculdadede Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara (SP), se reuniu para responder à Profissão Mestre como uma possível reformulação do ensino médio deveria ser realizada para mudar essa realidade. Para o professor Doutor Claudio Benedito Gomide Souza (livre-docente da Unesp), Silvio Henrique Fiscarelli(pós-Doutor) e Alexandre Marucci Bastos (doutorando em Gestão ePolítica Educacional), uma eventual reformulação do ensino médio precisaria levar em conta as contribuições das pesquisas na área da Educação. “Embora muitos ainda não acreditem, existem bons trabalhos e pesquisas que poderiam subsidiar as ações governamentais”, ressaltam os professores. Outro aspecto apontado por eles é a necessidade de uma ampla consulta aos profissionais da Educação, “afinalde contas, eles vivem o dia a dia da escola e poderiam analisar o potencial das propostas”. A equipe de professores também acredita que uma boa opção seria adotar procedimentos semelhantes à dinâmica aplicada na elaboração de planos diretores municipais, que convoca vários atores, sobretudo a comunidade interessada nesse propósito. “Porém, no Brasil, verifica-se que as reformas quase sempre vêm ‘decima para baixo’, com objetivos imediatistas, sem o compromisso de realizar mudanças estruturais consistentes”, lamentam. Na opinião do grupo de professores, a questão deve ser analisada do ponto de vista da efetividade: “sempre que pretendemos melhorar algo, partimos do pressuposto de que é preciso realizar mudanças, porém nem toda mudança promove melhorias”. E completam: “daí a importância dereservar espaço para uma autonomia nas ações locais; sejam elas proativas, preditivas ou até mesmo reativas ou corretivas, mas que permitam que a própria comunidade tenha a oportunidade de se engajar para encontrar a sua melhor trajetória evolutiva educacional, sobretudo quando se entende que o ensino médio está intimamente relacionado ao prelúdio da efetiva trajetória profissional dos jovens”.Para José Francisco Soares, integrante do grupo de avaliação e Medidas Educacionais (GAME) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a análise necessária para responder à questão do currículo do ensino médio leva quase imediatamente à consideração de outra questão: “será que o ensino médio está, de fato, permitindo que o jovem brasileiro aprenda o que deveria aprenderao fim de seu período de escolarização obrigatória?”. Para ele, não cabe voltar ao tempo em que o aluno, ao entrar no ensino médio, era excluído da exposição a algumas áreas do conhecimento. “A vida hoje exige que todos conheçam as leis básicas das ciências, mas também a cultura e a história de nosso País. No entanto, o Brasil é muito grande e diverso e, assim, é difícil aceitar que todos os...
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