Historia e literatura

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Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia
Ano 3, N.4, Julho 2012

HISTÓRIA E LITERATURA – O DEBATE NA SALA
DE AULA
HISTORY AND LITERATURE – THE DISCUSSION IN CLASSROOM

Léo Carrer Nogueira 
leocarrer@yahoo.com.br

RESUMO: Durante todos estes anos história e literatura estiveram separados pelo
conceito de verdade. Como um buraco negro separando dois mundos completamentedistintos, a noção de verdade dividiu os trabalhos de historiadores e literatos, e tornava
cômodo a classificação dos textos entre um ou outro. Numa época de fragmentação e de
quebra dos paradigmas, porém, tal delimitação tem se tornado cada vez mais difícil, à
medida que a linha que separa verdade e ficção se dilui. Neste sentido, este artigo
pretende fazer uma breve análise destes conceitose apresentar uma alternativa do uso
da literatura como fonte para as aulas de história.
PALAVRAS-CHAVE: história, literatura, ficção.
ABSTRACT: For long time history and literature were separated by the concept of
truth. As a black hole separating two different worlds, the idea of truth has divided
historians and writers, and classified the texts in one or another. In an age of
fragmentationand breaking of paradigms, however, this definition has become
increasingly difficult, because the line between truth and fiction is diluted. This article
intends to make a brief analysis of these concepts and present an option for the use of
literature as a source for history lessons.
KEYWORDS: history, literature, fiction.

Introdução
O que é então a verdade? Um exército móbil demetáforas, metonímias,
antropomorfismos, em resumo: uma suma de relações humanas que foram
forçadas poética e retoricamente. (...) Ser verdadeiro significa servir-se de
metáforas usuais (...) (NIETZSCHE apud SANTOS, 2004, p. 1723).



Mestre em História pela UFG, professor de história da Universidade Estadual de Goiás, Unidade de
Porangatu-GO. Enviado em: 16/05/2012. Aceito em: 29/07/2012.

115 Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia
Ano 3, N.4, Julho 2012

A pergunta de Nietzsche parece hoje fazer mais sentido do que jamais fizera.
Seus questionamentos sobre a verdade ecoam hoje na academia, e fizeram com que
diversos trabalhos, textos e análises fossem publicados sobre o assunto, cada vez mais
em voga, sobre este conceito.
Algo deste tipo não poderia deixarimunes os historiadores, considerados até
pouco tempo atrás como os detentores da verdade. Os trabalhos históricos, ao longo de
todos estes anos, sempre foram marcados por um caráter realístico, por se tratar de uma
escrita baseada em fatos concretos, reais, por retratar aquilo que realmente aconteceu, e
não o que poderia ter acontecido, como distingue Aristóteles em sua Poética.
FoiAristóteles quem primeiro separou a história da literatura. Segundo ele, a
história cuidaria dos fatos particulares, do que realmente foi, do desencadeamento dos
fatos em si, enquanto que a poética cuidaria dos fatos mais gerais, do que poderia ter
acontecido, das possibilidades. Assim, a poética não se preocupa com a verdade, mas
sim com a aproximação dela, através do conceito de verossimilhança.(SANTOS, 2004,
p. 1722). Percebe-se assim o caráter realístico da história e ficcional da poética ou
literatura.
Ao longo dos tempos tal diferenciação tomou corpo e criou tabus. Conforme
afirma Kramer,
toda disciplina é constituída por um conjunto de restrições ao pensamento e à
imaginação, e nenhuma é mais tolhida por tabus do que a historiografia
profissional (WHITE apud KRAMER, 2001, p.136). Esses tabus impedem o
uso de insights originários da arte e da literatura, pois forçam os historiadores
a enfatizar as distinções entre fato e ficção. (KRAMER, 2001. P. 136).

Está justamente ai, na distinção entre fato e ficção a distância que separam
história e literatura. Ambos trabalham com conceitos diferentes e até opostos. Enquanto
a história se liga à verdade dos fatos, ao que...
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