Histeria

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Gostaria de parabenizar e agradecer a equipe do Sig em Revista pela idéia da coluna “A Posteriori”: trata-se de mais uma chance de comprovar o quanto é produtivo revisitarmos as idéias de Freud, e a nossa própria história de construção como psicanalistas. Diria, neste caso, pré-história: o trabalho “Sobre o Complexo de Castração na Teoria Freudiana” foi produzido como trabalho final do meusegundo ano de formação. Aproveito também para agradecer à Eurema e à Eneida que, de diferentes formas, me ajudaram nesta tentativa de transformar um instantâneo de Polaroid numa foto digital: muito grata, sempre. Resta só recomendar a todos a experiência do “A Posteriori”. Acreditem, é muito interessante!

Sobre o Complexo de Castração na Teoria Freudiana e (a posteriori) a feminilidade em Freud: umelemento para repensar a elaboração da castração Introdução: Com ou sem pênis, a verdade é que somos todos castrados. Somos castrados porque a própria castração existe – Lacan diria, porque o Outro é castrado - e porque não existe completude em nenhum lugar; porque temos início numa cena da qual estamos ausentes, e sobre a qual nada decidimos, e porque sem o outro não teríamos sobrevivido. Mais doque tudo, somos castrados porque regidos pelo que desconhecemos – o inconsciente - e por não sermos dotados de um instinto que nos guie para o objeto eficaz, mas por uma pulsão que desliza e nos faz errar eternamente, de objeto em objeto. O texto a seguir pretende retomar brevemente o tema da castração na obra de Freud, percorrendo seus passos tanto na observação do fenômeno clínico quanto naconstrução do conceito teórico. Partindo daí, pretende também considerar a ampliação de alguns aspectos da elaboração da feminilidade, conforme descrita por Freud, e sua utilização como elemento para repensar a elaboração da castração em ambos os sexos. A trajetória da castração, como fenômeno e como conceito, através dos textos freudianos O termo “complexo de castração” surge na obra de Freud pelaprimeira no artigo “Sobre as Teorias Sexuais Infantis”(1908), artigo que parece dever ao Pequeno Hans muitas das idéias que apresenta. Nele, Freud atribui a formação do “complexo nuclear das neuroses” ao conflito entre as explicações dos adultos com relação às origens da sexualidade e da vida, e as teorias sexuais infantis, construídas a partir das investigações que as crianças empreendem sobreestes assuntos. O motor de tais investigações, diz Freud, não é a curiosidade espontânea, mas uma necessidade “prática”: o temor de perder o lugar junto aos pais com a chegada de um novo bebê.Como resultado do conflito, as teorias infantis passariam ao inconsciente e continuariam a agir desde lá. Uma das teorias infantis recalcadas em função deste conflito é a de que todos os seres vivos possuem umpênis, Nas seções 5 e 6 de “Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade” - acrescentados à obra em 1915- Freud inicia suas considerações sobre as investigações das crianças afirmando que a pulsão de saber, embora não subordinada à pulsão sexual, mantém com esta uma relação importante, já que é atraída desde cedo, e muito intensamente, para as

questões sexuais. Além das teorias descritasanteriormente, Freud acrescenta que as crianças também levantam hipóteses sobre o que significa “ser casado” e sobre o que é a relação sexual, que neste momento é sempre encarada – seja quando assistida ou imaginada - como uma situação de subjugação. Freud afirma que a continuidade das investigações torna a criança mais “autônoma e solitária”. O fim das investigações é atribuído, aqui, à falta de recursosda criança para seguir adiante – ele só seria visto como resultado da desconfiança e do medo da castração mais tarde, em “A Organização Genital Infantil” (1923), quanto é traçada a ligação entre sexualidade infantil, complexo de Édipo e complexo de castração. “A Organização Genital Infantil: uma interpolação na teoria da sexualidade” traz novos posicionamentos de Freud em relação à sexualidade...
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