Guilherme

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9º Ano – Fundamental 2

LÍNGUA PORTUGUESA
Texto para as questões de 1 a 5

Os sonhos dos adolescentes
Se tivesse que comparar os jovens de hoje com os de dez ou vinte anos atrás, resumiria assim: eles sonham
pequeno. É curioso, pois, pelo exemplo de pais, parentes e vizinhos, nossos jovens sabem que sua origem não
fecha seu destino: sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar ondenasceram, sua profissão não
tem que ser a continuação da de seus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária de ficções e
informações, eles conhecem uma pluralidade inédita de vidas possíveis.
Apesar disso, em regra, os adolescentes e os pré-adolescentes de hoje têm devaneios sobre seu futuro muito
parecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia-a-dia que, para nós, adultos, não é sonhoalgum, mas o
resultado (mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações. Eles são "razoáveis": seu sonho é um
ajuste entre suas aspirações heroico-ecológicas e as "necessidades" concretas (segurança do emprego, plano de
saúde e aposentadoria). Alguém dirá: melhor lidar com adolescentes tranquilos do que com rebeldes sem causa,
não é? Pode ser, mas, seja qual for a qualidade dosprofessores, a escola desperta interesse quando carrega
consigo uma promessa de futuro: estudem para ter uma vida mais próxima de seus sonhos. É bom que a escola
não responda apenas à "dura realidade" do mercado de trabalho, mas também (talvez, sobretudo) aos devaneios
de seus estudantes; sem isso, qual seria sua promessa? "Estude para se conformar"? Consequência: a escola é
sempre desinteressante para quempara de sonhar.
É possível que, por sua própria presença maciça em nossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial
e sejam contempladas não como um repertório arrebatador de vidas possíveis, mas como um caleidoscópio para
alegrar os olhos, um simples entretenimento. Os heróis percorrem o mundo matando dragões, defendendo
causas e encontrando amores solares, mas eles não nos inspiram:eles nos divertem, enquanto,
comportadamente, aspiramos a um churrasco no domingo e a uma cerveja com os amigos. É também possível
(sem contradizer a hipótese anterior) que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seu nariz. Ora, a
capacidade de os adolescentes inventarem seu futuro depende dos sonhos aos quais nós renunciamos. Pode ser
que, quando Eles procuram, nas entrelinhas de nossasfalas, as aspirações das quais desistimos, eles se deparem
apenas com versões melhoradas da mesma vida acomodada que, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época
tem os adolescentes que merece.
Adaptado de Contardo Calligaris. Folha de S. Paulo, 11/01/07

1.

O autor considera que falta aos jovens de hoje:
(A) um mínimo de discernimento entre o que é real e o que é puro devaneio.
(B) uma confiançamaior nas promessas de futuro acenadas pelo mercado de trabalho.
(C) a inspiração para viver que lhes oferecem os que descartaram as idealizações.
(D) a aspiração de perseguir a realização dos sonhos pessoais mais arrojados.
(E) a disposição de se tornarem capazes de usufruir a estabilidade profissional.

2.

Atente para as seguintes afirmações:
I.

As múltiplas ficções e informações que circulamno mundo de hoje impedem que os jovens
formulem seus projetos levando em conta um parâmetro mais realista.
II. As escolas deveriam ser mais consequentes diante da dura realidade do mercado de trabalho e
estimular os jovens a serem mais razoáveis em seus sonhos.
III. As ficções que proliferam em nossas telas são assimiladas como divertimento inconsequente, e
não como sinalização inspiradora de umapluralidade de vidas possíveis.

Em relação ao texto, está correto o que se afirma em:
1

9º Ano – Fundamental 2

(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) III, apenas.
(D) II, apenas.
(E) I, apenas.
3.

No segundo parágrafo, ao estabelecer uma relação entre os jovens e os adultos de hoje, o autor faz
ver que:
(A) os sonhos continuam sendo os mesmos, para uns e para outros.
(B) os adultos,...
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