Gordo cullen

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 6 (1261 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 14 de março de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
Gordon Cullen, 1961:
“[...] Efetivamente, uma cidade é algo mais do que o somatório dos seus habitantes: é uma unidade geradora de um excedente de bem-estar e de facilidades que leva a maioria das pessoas a preferirem – independentemente de outras razões – viver em comunidade a viverem isoladas.
Considere-se, agora, o impacto visual da cidade sobre os seus habitantes ou visitantes. O propósitodesde livro é mostrar que, assim como a reunião de pessoas cria um excedente de atrações para toda a coletividade, também um conjunto de edifícios adquire um poder de atração visual a que dificilmente poderá almejar um edifício isolado.
[...] No caso do conjunto [edificado], imaginemos o percurso do transeunte: ao afastar-se pouco a pouco dos edifícios depara, ao virar de uma esquina, com umedifício totalmente inesperado. É normal que fique surpreendido ou até mesmo espantado; mas a sua reação deve-se mais à composição do grupo do que a uma construção específica.
[...]
Existe, sem dúvida alguma, uma arte do relacionamento, tal como existe uma arte arquitetônica. O seu objetivo é a reunião dos elementos que concorrem para a criação de um ambiente, desde os edifícios aos anúncios e aotráfego, passando pelas árvores, pela água, por toda a natureza, enfim, e entretecendo esses elementos de maneira a despertarem emoção ou interesse. Uma cidade é antes do mais uma ocorrência emocionante no meio-ambiente.
[...] quando olhamos para uma coisa vemos por acréscimo uma quantidade de outras coisas. [...] Aliás, para além da sua utilidade, a visão tem o poder de invocar as nossasreminiscências e experiências, com todo o seu corolário de emoções, fato do qual se pode tirar proveito para criar situações de fruição extremamente intensas. São aspectos paralelos como este que nos interessam, pois, se realmente o meio-ambiente suscita reações emocionais – dependentes ou não da nossa vontade –, temos de procurar saber como isto se processa. Há três aspectos a considerar:
1. ÓPTICA. [...]embora o transeunte possa atravessar a cidade a passo uniforme, a paisagem urbana surge na maioria das vezes como uma sucessão de surpresas ou revelações súbitas. É o que se entende por VISÃO SERIAL.
[...] O cérebro humano reage ao contraste, isto é, às diferenças entre as coisas e, ao ser estimulado simultaneamente por duas imagens – a rua e o pátio – apercebe-se da existência de um contraste bemmarcado. Neste caso a cidade torna-se visível num sentido mais profundo; anima-se de vida pelo vigor e dramatismo dos seus contrastes. Quando isto não se verifica, ela passa despercebida, é uma cidade incaracterística e amorfa.
[...]
2. LOCAL. Este segundo ponto diz respeito às nossas reações perante a nossa posição no espaço. [...] Este tipo de percepção integra-se numa ordem de experiênciasligadas às sensações provocadas por espaços abertos e espaços fechados que nas suas manifestações mórbidas são a agorafobia e a claustrofobia. À beira de um precipício de 150 metros tem-se uma percepção de localização bem definida enquanto no fundo de uma caverna se experimenta certamente uma sensação de clausura.
[...]
3. CONTEÚDO. Relaciona-se este último aspecto com a própria constituição dacidade: a sua cor, textura, escala, o seu estilo, a sua natureza, a sua personalidade e tudo o que a individualiza. Se se considerar que a maior parte das cidades é de fundação antiga, apresentando na sua morfologia provas dos diferentes períodos de construção patentes nos diferentes estilos arquitetônicos e nas irregularidades do traçado, é natural que evidenciem uma amálgama de materiais, deestilos e de escalas.
[...] O homem tem em todos os momentos a percepção da sua posição relativa, sente a necessidade de se identificar com o local em que se encontra, e esse sentido de identificação, por outro lado, está ligado à percepção de todo o espaço circundante.
[...] Hoje em dia o ambiente encontra-se totalmente fragmentado em zonas desconexas: casas para um lado, árvores para o outro,...
tracking img