Genetica

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AS ORIGENS DA TEORIA
CROMOSSÔMICA DA HERANÇA
Objetivos
1. Descrever a hipótese de Sutton que relaciona
cromossomos e fatores hereditários.
2. Listar as conclusões de Sutton sobre o comportamento
dos cromossomos na espermatogênese de
Brachystola sp.
3. Mostrar, por meio de esquemas, como se explica a
segregação independente de dois pares de fatores
localizados em dois cromossomosdiferentes.
4. Explicar os experimentos de Boveri.
5. Comparar as abordagens de Sutton e de Boveri.
6. Descrever a contribuição de Montgomery ao estudo
dos cromossomos.
7. Explicar a estratégias de estudo cromossômico
usada por Montgomery.
Sétima aula
(T7)
Texto adaptado de:
MOORE, J. A. Science as a Way of Knowing -
Genetics. Amer. Zool. v. 26: p. 583-747, 1986.
RELAÇÃO ENTRE GENES ECROMOSSOMOS
Revendo o desenvolvimento conceitual da
Genética, podemos reconhecer 1902 como um
ano de importantes acontecimentos. Em dois
artigos, um publicado em 1902 e outro em 1903,
o jovem Walter Stanborough Sutton (1877- 1916)
demonstrou que havia um paralelismo entre o
comportamento das unidades hereditárias postuladas
por Mendel e o comportamento dos
cromossomos na meiose e nafertilização. A hipótese
mais parcimoniosa, portanto, era a de que as
unidades hereditárias fizessem parte dos cromossomos.
Outra alternativa seria a de que as unidades
hereditárias fizessem parte de estruturas celulares
com comportamento exatamente igual ao
dos cromossomos na meiose e fertilização.
Tudo isto é muito óbvio para nós atualmente
– a infalível clareza da percepção tardia . Em
1902,estes conceitos estavam longe de serem
claros. O geneticista mais proeminente da época,
William Bateson, não se convenceu das análises
e sugestões de Sutton. Edmund Beecher Wilson,
certamente um dos citologistas mais importantes
da época, teve grande dificuldade em entender o
que Sutton estava propondo. Isso é particularmente
surpreendente, se considerarmos que,
naquela época, Suttontrabalhava no laboratório
de Wilson na Columbia University. “Particularmente
surpreendente” quando tendemos a
acreditar que a época de uma descoberta corresponde
àquela em que o seu significado é compreendido
pela comunidade científica. Isto quase
nunca ocorre – leva um bom tempo para que o
“óbvio” se torne óbvio.
MANUTENÇÃO E INDIVIDUALIDADE
DOS CROMOSSOMOS
Duas das premissas da hipótese deSutton
eram: a) os cromossomos persistem durante o
ciclo nuclear, isto é, podem ser considerados
estruturas permanentes, presentes mesmo durante
a intérfase; b) os cromossomos possuem individualidade
(isto é, como sabemos atualmente, os
cromossomos de uma célula diferem entre si, cada
par de cromossomos homólogos tem um conjunto
específico de genes).
Em 1902, essas premissas não podiamainda
ser consideradas como estando acima de qualquer
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suspeita. Explicar o “desaparecimento” dos
cromossomos no estágio em que o núcleo de uma
célula que acabava de se dividir entrava em
“repouso” representava um sério problema para
os que acreditavam na permanência e individualidade
dos cromossomos. A interpretação mais
óbvia era a de que os cromossomos fossem estruturas
temporárias –um fenômeno da fase
mitótica. Outros acreditavam que os cromossomos,
entre as divisões celulares, uniam-se pelas
extremidades, formando um fio espiralado contínuo
– o espirema. O espirema, então, se
fragmentaria novamente em cromossomos no
início da divisão mitótica seguinte. Entretanto,
para que os cromossomos mantivessem sua
individualidade, seria necessário que a fragmentação
ocorressesempre no mesmo ponto, em
todos os ciclos.
Na segunda edição de seu livro The Cell, E.
B. Wilson (1900) faz uma argumentação consistente
em favor da hipótese da permanência e
individualidade dos cromossomos durante toda
a vida da célula. Ele considera que as observações
de Rabl, feitas em 1885, eram uma evidência de
que “os cromossomos não perdem sua individualidade
ao final da divisão...
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