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Basil Bernstein
Sociologia para a Educação

Ana Maria Morais
Departamento de Educação e Centro de Investigação em Educação
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Versão pessoal revista do texto final do artigo publicado:
In A. Teodoro & C. Torres (Orgs.). Educação crítica & utopia – Perspectivas para o século XXI.
Lisboa: Edições Afrontamento (2004).
Homepage das EdiçõesAfrontamento : http://www.edicoesafrontamento.pt/

BASIL BERNSTEIN
SOCIOLOGIA PARA A EDUCAÇÃO*

Introdução
Basil Bernstein foi professor do Instituto de Educação da Universidade de Londres e
director da Sociological Research Unit, situando-se entre os grandes sociólogos do
século 20. Bernstein mostrou um constante e muito particular interesse pela educação,
constituindo as suas ideias agramática mais avançada para compreender os presentes
sistemas educativos e as mudanças que neles têm tido lugar. Bernstein inspirou muitas
gerações de investigadores, educadores e estudantes de todo o mundo, continuando o
seu legado a modelar a forma como fazemos investigação e como compreendemos o
mundo social (Davies 2001, p.1).
As publicações de Bernstein tiveram início em 1958 edesenvolveram-se continuamente
até 2000. A evolução do seu pensamento aparece fundamentalmente em cinco volumes,
referidos em conjunto como Class, Codes and Control, I V. A primeira edição do
V olume I foi publicada em 1971 e a segunda edição do último volume em 2000.
Bernstein fez constantes revisões das suas ideias ao longo das diferentes edições e
livros. Em retrospectiva, considera que, há quatrodos seus artigos que constituem
marcos da teoria:
1971 – On the classification and framing of educational knowledge
1981 – Codes, modalities and the process of cultural reproduction: A model
1986 – On pedagogic discourse
1999 – Vertical and horizontal discourse: An essay
Bernstein considera que o seu trabalho inicial na Sociological Research Unit cristalizou
no artigo Classification andFraming, onde conseguiu libertar-se das imperfeições da
teorização sócio-linguística, fazer a distinção entre poder e controlo, distinção que
*

Este artigo contém partes de textos previamente publicados em Morais, A. M. (2002) e Morais e Neves
(2001).

1

considerava ser absolutamente necessária, e mostrar que podia haver modalidades de
códigos elaborados. Desta forma, a questãoconsistia em descobrir quais eram os
princípios de selecção, porque razão uma modalidade particular de código elaborado era
institucionalizada para grupos particulares de alunos.
Embora Bernstein considere este um artigo fundamental, pensa que o artigo mais
importante foi Codes, Modalities and the Process of Cultural Reproduction: A Model.
Os dois estão separados por um período de tempo de dezanos. Bernstein afirma que
este artigo olhou para o que tinha sido feito anteriormente e produziu uma teorisação
dos códigos muito mais formal e conceptualmente elegante. O artigo sobre as
modalidades de código tentou colmatar deficiências anteriores no que respeita ao
processo de transmissão/aquisição, à definição do contexto e às traduções macro-micro,
através do desenvolvimento do queconsiderou ser uma linguagem de descrição mais
poderosa. Ele abriu caminho ao aparelho pedagógico. Até aos anos 80, o trabalho foi
dirigido para a compreensão dos diferentes princípios de transmissão/aquisição
pedagógica, dos seus contextos de geração e da sua mudança. Estes princípios foram
conceptualisados como modalidades de código. Contudo, o que era transmitido não foi
analisado por sipróprio, para além da classificação e enquadramento das categorias do
currículo.
Em meados dos anos 80, o que era transmitido passou a ser o foco da análise. A teoria
da

construção

do

discurso

pedagógico,

das

suas

regras

de

distribuição,

recontextualização e avaliação e da sua base social foi então desenvolvida: o aparelho
pedagógico. O artigo On Pedagogic Discourse,...
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