Fichamentos e resenhas

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Freyre, Gilberto. Casa grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. Apresentação Fernando Henrique Cardoso - 51ª ed. Ver. – São Paulo: Global, 2006. – (Introdução da história da sociedade patriarcal no Brasil; 1).

Por Isac Justino Miranda 4º semestre de Ciências Sociais pela UFMT

UM LIVRO PERENE

Fernando Henrique Cardoso discute o trajeto da obrasob os olhares dos críticos, que destaca as contradições ali procedentes, porém, destaca que “Casa grande & senzala foi, é e será referência para compreensão do Brasil”. Sua analise é de que a obra apresenta “construções hiper-realistas mescladas com perspectivas surrealistas que tornam o real fugidio. (...) essas caracterizações, embora expressivas, simplificam e podem iludir o leitor. Mas, comelas, o livro não ganha apenas força descritiva como se torna quase uma novela, e das melhores já escrita e ao mesmo tempo, ganha força explicativa”. (p. 20).

“Casa grande & senzala eleva à condição de mito um paradigma que mostra o movimento da sociedade escravocrata e ilumina o patriarcalismo vigente no Brasil pré-urbano-industrial”. Considera que “Gilberto Freyre inova nas análises sociais daépoca: sua sociologia incorpora a vida cotidiana. Não apenas a vida pública ou o exercício de funções sociais definidas (...), mas a vida privada”, posto que na época do escrito descrever hábitos e costumes, “e, sobretudo, a vida sexual, era inusitado”. (p.21).

“a obra é eterna?”, “Talvez porque ao enunciar tão abertamente como valiosa uma situação cheia de aspectos horrorosos, Gilberto Freyredesvende uma dimensão que, gostemos ou não, conviveu com quase todos os brasileiros até o advento da sociedade urbanizada, competitiva e industrializada. (...) a história que ele conta era a história que os brasileiros, ou pelo menos a elite que lia e escrevia sobre o Brasil, queria ouvir. (...). A história que está sendo contada é a história de muitos de nós, de quase todos nós, senhores eescravos”. (p. 22).

“Gilberto Freyre seria o mestre do equilíbrio dos contrários. Sua obra está perpassada por antagonismos. Mas dessas contradições não nasce uma dialética, não há superação dos contrários, nem por conseqüência se vislumbra qualquer sentido da História. Os contrários se ajustam frequentemente de forma ambígua, e convivem em harmonia.” (p.23).

Destaca que Gilberto Freyre “nãovisava propriamente demonstrar, mas convencer. (...) vencer junto, autor e leitor”. Fernando Henrique prossegue enfatizando que “essa característica vem sendo notada desde as primeiras edições de Casa grande & senzala”, em que o autor “não conclui. Sugere, é incompleto, é introspectivo, mostra o percurso, talvez mostre o arcabouço de uma sociedade. Mas não ‘totaliza’. Não oferece, nem pretende umaexplicação global. Analisa fragmentos e com eles faz-nos construir pistas para entender partes da sociedade e da história.” (p.24).

No que se refere às “oposições simplificadoras, os contrários em equilíbrio, se não explicam logicamente o movimento da sociedade, servem para salientar características fundamentais. São, nesse aspecto, instrumentos heurísticos cuja fundamentação na realidade contamenos do que a inspiração derivada delas, que permite captar o que é essencial para a interpretação proposta. (...) E como, apesar disso, a obra de Freyre sobrevive, e suas interpretações não só são repetidas (...), como continua a incomodar muitos, é preciso indagar mais o porquê de tanta resistência para aceitar e louvar o que de positivo existe nela”. (p. 25).

Quanto à visão da evoluçãopolítica do país, observa que na obra gilbertiana “a grande eloqüência, o tom exclamatório dos ‘grandes ideais’, messiânicos, (...) é posto à margem e substituído pela valorização das práticas econômicas e humanas que (...) refletem a experiência comprovada de muitas pessoas”. Observa que ”com as características culturais e com a situação social dos habitantes do latifúndio, não se constrói uma nação,...
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