Fichamento do principe

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MARILENA CHAUÍ

O QUE É IDEOLOGIA

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Autora: Marilena Chauí Título: O que é ideologia Revisor: José E. Andrade Data da Digitalização: 2004 Data Publicação Original: 1980

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2

ÍNDICE

PARTINDO DE ALGUNS EXEMPLOS HISTÓRICO DO TERMO A CONCEPÇÃO MARXISTA DE IDEOLOGIA

4 10 14

3

PARTINDO DE ALGUNS EXEMPLOS

Sistematizando o pensamento filosófico grego, Aristóteles elaborou algo que, a partir da filosofia medieval, ficou sendo conhecido como a teoria das quatro causas. Como se sabe, umadas maiores preocupações dos filósofos gregos era a explicação do movimento. Por movimento, os gregos entendiam: animal que adoece, etc.);
1)

toda mudança qualitativa de um corpo

qualquer (por exemplo, uma semente que se toma árvore, um objeto branco que amarelece, um
2)

toda mudança quantitativa de um corpo qualquer (por exemplo, um
3)

corpo que aumente de volume ou diminua, umcorpo que se divida em outros menores, etc,); deslocamento de um barco, a queda de uma pedra, o levitar de uma pluma, etc.);

toda

mudança de lugar ou locomoção de um corpo qualquer (por exemplo, a trajetória de uma flecha, o
4)

toda geração e

corrupção dos corpos, isto é, o nascimento e perecimento das coisas e dos homens. Movimento, portanto significa para um grego toda e qualqueralteração de uma realidade, seja ela qual for. A teoria aristotélica das quatro causas, tal como foi recolhida e conservada pelos pensadores medievais, é uma das explicações encontradas pelo filósofo para dar conta do problema do movimento. Haveria, então, uma causa material (a matéria de que um corpo é constituído, como, por exemplo, a madeira, que seria a causa material da mesa), a causa formal (aforma que a matéria possui para constituir um corpo determinado, como, por exemplo, a forma da mesa que seria a causa formal da madeira), a causa motriz ou eficiente (a ação ou operação que faz com que uma matéria passe a ter uma determinada forma, como, por exemplo, quando o marceneiro fabrica a mesa) e, por último, a causa final (o motivo ou a razão pela qual uma determinada matéria passou a teruma determinada forma, como, por exemplo, a mesa feita para servir como altar em um templo). Assim, as diferentes relações entre as quatro causas explicam tudo que existe, o modo como existe e se altera, e o fim ou motivo para o qual existe. Um aspecto fundamental dessa teoria da causalidade consiste no fato de que as quatro causas não possuem o mesmo valor, isto é, são concebidas comohierarquizadas indo da causa mais inferior à causa superior. Nessa hierarquia, a causa menos valiosa ou menos importante é a causa eficiente (a operação de fazer a causa material receber a causa formal, ou seja, o fabricar natural ou humano) e a causa mais valiosa ou mais importante é a causa final (o motivo ou finalidade da existência de alguma coisa). À primeira vista, essa teoria é uma pura concepçãometafísica que serve para explicar de modo coerente e objetivo os fenômenos naturais (física) e os fenômenos humanos (ética, política e técnica). Nada parece indicar a menor relação entre a explicação causal do universo e a realidade social grega. Sabemos, porém, que a sociedade grega é escravagista e que a sociedade medieval se baseia na servidão, isto é, são sociedades que distinguem radicalmente oshomens em superiores – os homens livres, que são cidadãos, na Grécia, e senhores feudais, na Europa medieval – e inferiores – os escravos, na Grécia, e os servos da gleba, na Idade Média. Mas, o que teria a concepção da causalidade a ver com tal divisão social? Muita coisa. Se tomarmos o cidadão ou o senhor e indagarmos a qual das causas ele corresponde, veremos que corresponde à causa final,...
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