Fichamento Casa Grande e Senzala

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Nome: Natália de Los Angeles Corrêa 
Curso: Ciências Sociais 
Disciplina: Leituras Sociológicas de Brasil 
Professor: Adão Clóvis M. dos Santos 
 
Fichamento 
Casa Grande e Senzala ­ Gilberto Freyre 
 
I​
 ­ Características gerais da colonização portuguesa do Brasil: formação de uma 
sociedade agrária, escravocrata e híbrida 
 “Mudado em São Vicente e em Pernambuco o rumo da colonização portuguesa do fá­ cil, 
mercantil, para o agrícola; organizada a sociedade colonial sobre base mais sólida e em 
condições mais estáveis que na índia ou nas feitorias africanas, no Brasil é que se realizaria a 
prova definitiva daquela aptidão. A base, a agricultura; as condições, a estabilidade patriarcal 
da família, a regularidade do trabalho por meio da escravidão, a união do português com a mulher índia, incorporada assim à cultura econômica e social do invasor.” ​
(página 65) 
 
“Sociedade que se desenvolveria defendida menos pela consciência de raça. quase nenhuma 
no português cosmopolita e plástico, do que pelo exclusivismo religioso desdobrado em 
sistema de profilaxia social e política.” ​
(página 65) 
 “ Mas tudo isso subordinado ao espírito político e de realismo econômico e jurídico que aqui. 
como em Portugal.1 foi desde o primeiro século ele 
mento decisivo de formação nacional; sendo que entre nós através das grandes famílias 
proprietárias e autônomas: senhores de engenho com altar e capelão dentro de casa e índios de 
arco e flecha ou negros armados de arcabuzes às suas ordens; donos de terras e de escravos que dos senados de Câmara falaram sempre grosso aos representantes del­Rei e pela voz 
liberal dos filhos padres ou doutores clamaram contra toda espécie de abusos da metrópole e 
da própria Madre Igreja.” ​
(páginas 65­66) 
 
“A singular predisposição do português para a colonização híbrida e escravocrata dos 
trópicos, explica­a em grande parte o seu passado étnico, ou antes, cultural, de povo indefinido entre a Europa e a África. Nem intransigentemente de uma nem de outra, mas das 
duas. A influência africana fervendo sob a européia e dando um acre requeime à vida sexual, 
à alimentação, à religião; o sangue mouro ou negro correndo por uma grande população 
brancarana quando não predominando em regiões ainda hoje de gente escura;2 o ar da África, 
um ar quente, oleoso, amolecendo nas instituições e nas formas de cultura as durezas germânicas; corrompendo a rigidez moral e doutrinária da Igreja medieval; tirando os ossos 
ao cristianismo, ao feudalismo, à arquitetura gótica, à disciplina canônica, ao direito 
visigótico, ao latim, ao próprio caráter do povo. A Europa reinando mas sem governar; 
governando antes a África.” ​
(página 66) 

“"Em vão se procuraria um tipo físico unificado", notava há anos em Portugal o conde Hermann de Keyserling. O que ele observou foram elementos os mais diversos e mais 
opostos, "figuras com ar escandinavo e negróides", vivendo no que lhe pareceu "união 
profunda". "A raça não tem aqui papel decisivo", concluiu o arguto observador.6 E já da 
sociedade moçárabe escrevera Alexandre Herculano: "População indecisa no meio dos dois bandos contendores [nazarenos e maometanos], meia cristã, meia sarracena, e que em ambos 
contava parentes, amigos, simpatias de crenças ou de costumes".” ​
(página 67) 
 
“O que se sente em todo esse desadoro de antagonismos são as duas culturas, a européia e a 
africana, a católica e a maometana, a dinâmica e a fatalista encontrando­se no português, 
fazendo dele, de sua vida, de sua moral, de sua economia, de sua arte um regime de influências que se alternam, se equilibram ou se hostilizam.” ​
(página 69) 
 
“ A escassez de capitalhomem, supriram­na os portugueses com extremos de mobilidade e 
miscibilidade: dominando espaços enormes e onde quer que pousassem, na África ou na 
América, emprenhando mulheres e fazendo filhos, em uma atividade genésica que tanto tinha ...
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