Fichamento: cap. em busca da ordem. filosofia da ciência. rubem alves.

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  • Publicado : 22 de outubro de 2012
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“Não importam as diferenças que separam o senso comum da ciência: ambas estão em busca de ordem. Você não acha curioso este fato? Cada um à sua moda, o menino Azande e o mais sofisticado cientista estão atrás de uma mesma coisa. Por quê? Para responder a esta pergunta temos de sair dos domínios da filosofia da ciência e entrar no mundo fascinante do comportamento dos organismos e das pessoas. Eaí descobrimos que a exigência de ordem se fundamenta na própria necessidade de sobrevivência. Não existe vida sem ordem nem comportamento inteligente sem ela.” (p. 28)

“...a inspiração mais profunda da ciência não é um privilégio dos cientistas, porque a exigência da ordem se encontra presente mesmo nos níveis mais primitivos da vida. Se não necessitássemos de ordem para sobreviver não aprocuraríamos. E é somente porque a procuramos que a encontramos. A ciência é uma função da vida. Justifica-se apenas enquanto órgão adequado à nossa sobrevivência. Uma ciência que se divorciou da vida perdeu a sua legitimação.” (p. 29)

“...o senso comum e a ciência nos apresentam visões de ordem muito diferentes uma da outra. Haverá diferentes possibilidades de se compreender a ordem? Níveisdiferentes de ordem? Jogos diferentes? Basquete, futebol, pôquer, buraco, xadrez e dama. Ordens distintas, regras diferentes, mundos diferentes. Não obstante, todas elas são ordens. (...) de que forma, em sua própria experiência, você separa a ordem da ciência da ordem do seu comportamento? Seu comportamento é ‘científico’? Você deverá notar que sua ordem pessoal é profundamente marcada por preferências,emoções, valores...” (p. 29)

“...é do desejo que surge a música, a literatura, a pintura, a religião, a ciência e tudo o que se poderia denominar criatividade. Mas é também do desejo que surgem as ilusões e os preconceitos. Esta é a razão por que a ciência, desde os seus primórdios, tratou de inventar métodos para impedir que os desejos corrompessem o conhecimento objetivo da realidade.” (p.29)
“...os esquemas do senso comum são absurdos, enquanto isto não acontece com a ciência. Religião, milagres, astrologia, magia: não são todos absurdos que as pessoas de senso comum freqüentemente aceitam?.” (p. 30)

“...Imagine-se vivendo na Idade Média. A Terra está no centro do universo, nas profundezas está o inferno e o demônio (e seus vapores sulforosos até escapam pelos vulcões), tudoestá calmo, fixo é tranqüilo, lá em cima giram as estrelas, fixadas numa esfera cristalina. Todos sabem que esta é a verdade e a experiência cotidiana o confirma. Aí um indivíduo diz que a Terra gira em torno de si mesma e em torno do Sol. Isto não é absurdo? As marés acontecem porque a água é puxada pelo Sol e pela Lua. Mas como? Haverá cordinhas invisíveis? Dizer que é a força da gravitação nãoresolve, porque é o mesmo que dizer que uma coisa puxa outra sem fios materiais que as unam. (...) é a ciência e não o senso comum que parece ser o mais absurdo...” (p. 30)

“...Esta é a razão por que o cientista é um caçador do invisível. Sei que isto parece contrariar todos os chavões acerca dos cientistas, que eles só trabalham com fatos, que só levam em consideração aquilo que pode servisto, tocado e medido, em oposição às pessoas do senso comum que acreditam em coisas que não podem ser vistas...” (p. 30/31)

“...Aqui somos forçados a viajar séculos e séculos para trás, para os tempos em que nossos pais, os gregos, começaram a pensar sobre o mundo e a se fazerem as perguntas com que os cientistas lutam até hoje. Porque as perguntas que eles fizeram não admitiam uma respostaúnica e final. Eram como portas que, uma vez abertas, vão dar numa outra porta, muito maior, é verdade, que por sua vez dá em outra, indefinidamente. E aqui estamos nós abrindo portas com as perguntas que geraram as nossas chaves...” (p. 32)

“...Você já notou que a nossa experiência cotidiana, o que vemos, ouvimos, sentimos, é um fluxo permanente de impressões que não se repete nunca? ‘Tudo...
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