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Os movimentos sociais urbanos: questões conceituais relacionadas à práxis
Regina Célia Bega dos Santos Instituto de Geociências: Departamento de Geografia – Programa de pós-graduação - Unicamp. I - Introdução Este trabalho tem por tema os movimentos sociais urbanos. Em geral, os movimentos sociais colocam-se potencialmente contra uma determinada situação de vida e, a partir de ações concretas,procuram mudar o status quo. Esta situação de vida relaciona-se à forma como o espaço geográfico, como um sistema de objetos é apropriado pela sociedade, através do sistema de ações, seguindo abordagem proposta por Milton Santos. Por esta concepção, o espaço é entendido como meio, ou seja, como o lugar material da possibilidade dos eventos, onde se reúnem materialidade e ação humana. Ao mesmo tempoem que é no espaço geográfico que há a possibilidade de acontecer as ações, estas mesmas ações passam, concomitantemente, a fazer parte do espaço – materialidade e imaterialidade - e assim interferem na dinâmica sócioespacial que produzirá novas ações e novos objetos geográficos. Por isso, podemos dizer que o lugar é o encontro entre possibilidades latentes e oportunidades preexistentes oucriadas. Portanto, quando falamos de movimentos sociais estamos mencionando as ações empreendidas a partir da conscientização de que há possibilidades latentes que permitem a organização de um determinado coletivo ou de que é chegada a oportunidade para a organização ou para a ação. Essas oportunidades podem estar dadas pelo contexto social ou podem ser criadas a partir de determinadas intenções, dequalquer forma são sempre historicamente definidas. Entendemos, como Thompson, que um movimento social é deflagrado pela força social coletiva organizada. No Brasil, principalmente a partir no final das décadas de 1970 e na de 1980, houve um recrudescimento dos movimentos ligados às Comunidades Eclesiais de Base, da Igreja Católica e ao movimento sindical. Gradativamente outros movimentos, como ofeminista, o ecológico, contra a discriminação começaram a se destacar nas cidades, lugar privilegiado para a deflagração de movimentos desse tipo. No âmbito de América Latina podemos destacar importantes movimentos, alguns deles políticos, como o Sandinismo na Nicarágua, que envolveu as diferentes classes sociais e diversas correntes ideológicas; ou as lutas populares no Peru; os comitês de defesados Direitos Humanos e as Associações de Familiares de Presos Políticos e Desaparecidos, principalmente na Argentina; as experiências de „greves cívicas nacionais‟, com a participação de sindicatos, partidos políticos e organizações populares, na Colômbia, no Peru, no Equador... O nosso foco são os movimentos populares urbanos no Brasil. Quando nos referimos a movimentos urbanos, é necessáriolembrar que eles são comumente designados como populares. Não que sejam unicamente populares, mas esta é a referência fundamental, que caracteriza a maioria dos movimentos reivindicatórios urbanos. O caráter da organização popular é político (GOHN, 1991), já que a mobilização é de enfrentamento ao status-quo, diferentemente de outros movimentos reivindicatórios que envolvem outras classes ou as camadasmais abastadas da população.

Ainda em relação aos movimentos populares urbanos, não se pode buscar uma unanimidade de atuação dentre os diversos grupos existentes. Alguns grupos lutam contra o Estado e as instituições constituídas, entendendo que a resolução de seus problemas só se efetivará em uma sociedade mais igualitária, inserindo, portanto, o movimento no bojo da luta revolucionária queaspira a transformação do sistema político. Para estes cabe a conceituação dada por Dalton e Kuechler e apresentada por Boaventura SANTOS (1999), ou seja, estamos diante de um movimento social quando “um setor significativo da população desenvolve e define interesses incompatíveis com a ordem social e política existente e (...) os persegue por vias não institucionalizadas”. Os movimentos...
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