Etnografia em um clube das mulheres

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  • Publicado : 15 de outubro de 2012
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Universidade Federal Fluminense





Ladie`s Club



O objetivo deste trabalho é registrar minhas primeiras impressões obtidas através da observação direta. O campo de realização do trabalho é o Clube das Mulheres do restaurante e bar “Dito & feito” localizado na Rua do Mercado no centro do Rio de Janeiro. Escolhi este campo para realizar minha pesquisa etnográfica porque sempreme interessei por questões relacionadas à sexualidade. Minha idéia inicial era pesquisar algo em torno da prostituição masculina. No entanto, minha ida a campo fez com que no momento mudasse minha intenção inicial e focasse nas relações de gênero, que percebi ser algo bastante marcante nesse contexto.

Os shows acontecem as terças, quartas e quintas a partir das 19h30min com duração máxima deuma hora. O local e o horário se tornam fatores estratégicos como facilitadores da freqüência das mulheres, pois é localizado no centro comercial da cidade. Assim a mulher tem a opção de freqüentar após as suas atividades de rotina, como trabalho e estudo. A questão de as apresentações acontecerem num horário considerado cedo facilita as “fugas”, pois mesmo as mulheres compromissadas conseguemcomparecer. No primeiro dia conversei com uma mulher casada, ela estava um pouco afastada do palco, disse que não tinha coragem de subir. Perguntei se era a primeira vez dela lá, ela disse que sim, mas que veio com as amigas que freqüentam há anos. Segundo ela, todas são casadas e vão direto do trabalho. E, os maridos não tem a menor idéia que estejam ali.

A regra principal a ser obedecida nestelocal é que para participar do show só é permitida a entrada de pessoas do gênero feminino. Os únicos participantes do gênero masculino são os funcionários, distribuídos entre garçons, seguranças, o apresentador do show e os próprios dançarinos. Posso afirmar que a minha condição de mulher naquele espaço facilitou a minha inserção, pois me confundia a todas as outras mulheres, podendo assim,preservar momentaneamente minha identidade de pesquisadora. Portanto, o método de “observação flutuante” de Collette Petonet é o mais apropriado, pois existe um fluxo constante de pessoas naquele ambiente que o enquadra num estudo sobre antropologia urbana. Não fui com nenhuma questão pré-definida, permiti que a minha observação “flutuasse”.

O “Dito e Feito” possui três andares. O primeiro andaré onde acontece o show, esta parte é composta do palco, um bar e umas mesinhas. Antes de começar o show, as mulheres ficam ali bebendo, tirando fotos, conversando... Elas estão sempre em grupos, de duas ou mais mulheres. Já no primeiro dia que “estive lá” no mesmo sentido de Clifford Geertz, percebi que algumas mulheres me olhavam com certo grau de estranhamento, pois eu era a única sozinha ebebendo refrigerante, quando a maioria delas tomava bebida alcoólica. Eu também estava sendo observada, ou seja, o “observador sendo observado”.

O segundo andar é a área vip. O valor da entrada é um pouco maior, mas dá direito a bebida e comida liberada, sem contar a vista privilegiada do palco. O terceiro andar tem outro barzinho onde os homens ficam esperando a hora de entrarem no espaçorestrito as mulheres. Isso acontece após o término do show. Eu perguntei a uma funcionária porque a casa lota de homens após o show. Ela me explicou que faz parte do marketing da “casa”. Eles alegam que depois de um show com GO-goboys e já um pouco alteradas por causa das bebidas, pressupõe que a mulherada está bastante excitada, e que assim, tais homens conseguirão “pegar” com mais facilidade. Pegarsignifica ficar, namorar, beijar, aquilo que seria uma relação a dois. Segundo essa funcionária, essa chamada tem dado certo, pois já funciona há quinze anos com casa lotada. No entanto, não vi isso acontecer de forma homogênea, pois assim que acaba a apresentação boa parte das mulheres vão embora. E, a outra parte que permanece, em sua grande maioria, se esquiva das investidas desses homens. Não...
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