Etnocentrimo africano

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  • Publicado : 15 de junho de 2011
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No passado, os missionários souberam valorizar as culturas locais. Hoje são chamados a fomentar a reconciliação entre as etnias e o crescimento de uma sociedade aberta à comunhão.



O virar do milénio é sem dúvida uma data fictícia, criada por motivos práticos de contagem do tempo. Mas é igualmente ocasião para um balanço. Também a África se interroga sobre onde é que se encontra e para quemetas caminha. Um dos temas que mais impacte têm nos órgãos de informação e na sociedade deste fim de século é o da etnicidade. Basta abrir um jornal em qualquer parte da África para nos apercebermos do problema. Não se pode reduzir a temática a tribalismo, como normalmente se faz nos meios de comunicação ocidentais. É uma realidade bem mais vasta, que encontra consensos a nível internacional.Basta pensar nas tensões que ocorrem na Ásia (curdos, palestinianos, subcontinente indiano) ou na América Latina, onde as minorias étnicas estão a recuperar a sua identidade de povo com plenos direitos. A própria Europa não se encontra isenta deste fenómeno (veja-se o que acontece no Kosovo e no País Basco), com as reivindicações nacionalistas das diversas minorias, que pretendem o reconhecimento dasua singularidade.

É importante recuperar o alcance mundial destes impulsos étnicos. Mas focalizá-los em África como se fosso o único continente à mercê de «conflitos tribais», criar-se-ia um injusto sentimento de culpa. Além disso, a solução dos problemas ligados à etnicidade não pode ser simplesmente local. O etnocentrismo requer um empenho por parte de organismos internacionais: a ONU eOUA, a nível político, as igrejas a nível religioso. Estas instituições têm a força moral e a capacidade organizativa para intervirem de uma forma clara e sistemática.

Sobre o tema e as suas implicações em África, realizou-se na Universidade Católica de Nairobi (Quénia) um seminário centrado sobre o etnocentrismo no continente. O primeiro tema abordado foi a relação entre etnocentrismo emissionários. Houve um certo consenso na afirmação de que os missionários têm contribuído para transmitirem às etnias locais uma consciência orgânica, ajudando-as a tornarem-se conscientes daquilo que foram no passado. As afirmações apressadas e genéricas de que os missionários haviam destruído as etnias locais foram claramente rejeitadas. A metodologia seguida foi a descoberta das línguas, dos provérbios,a passagem à escrita da cultura, o conhecimento dos modos de vida, colocando ao serviço destas etnias as ciência antropológicas, sociais que permitem um ulterior aprofundamento científico. É certo que, no passado, a maioria dos missionários sabia bem pouco de sociologia e antropologia. Mas é igualmente certo que não lhes faltava bom senso. Os arquivos das congregações missionárias encontram-se aabarrotar de material para estudo e comparação. Disso bem se aperceberam os estudiosos das raízes africanas, que a eles recorrem constantemente. Infelizmente, muito deste material pouca utilidade prática tem, porque carece de uma sistematização orgânica. Também os museus missionários e etnológicos – recordemos apenas o que foi organizado por Pio XI por ocasião do Ano Santo de 1925 – se tornaram umimportante meio de conhecimento. A África conseguiu, desta maneira, influenciar a própria arte ocidental (Picasso) e a música (blues, jazz, rag-time).

É certo que houve também casos de missionários que fizeram uma apreciação pouco abonatória da África e que os seus escritos em órgãos de informação ocidentais contribuíram para a criação de uma imagem da África que agora nos parece ofensiva. Osmissionários, nalgumas situações, acentuaram, certamente, o etnocentrismo. Fizeram-no atribuindo um peso ideológico às etnias. Acreditavam que a raça branca era o supra-sumo da humanidade. Por isso, era preciso elevar o negro ao nível do branco. Por exemplo, no Burundi, os missionários interrogavam-se sobre quem é que estava mais «próximo» da sua maneira de ser. Personificaram na etnia tutsi o...
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