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XIV Congresso Brasileiro de Sociologia  28 a 31 de julho de 2009, Rio de Janeiro (RJ)  Grupo de Trabalho: Teoria Sociológica 

A MORAL EM ÉMILE DURKHEIM 

Autora: Marina Félix de Melo 
Doutoranda do Programa de Pós­Graduação em  Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco 

Recife  2009


Palavras­Chave: Durkheim, Moral, Divisão do Trabalho.  Key­words: Durkheim, Moral, Division of Labor Resumo: Este artigo disserta sobre a moral em Émile Durkheim, passando brevemente  pela noção do que é a divisão social do trabalho para o autor e mostrando a pertinência  da  leitura  de  um  clássico  da  sociologia  atualmente.  Este  trabalho  analisa  como  o  autor  constrói  sua  idéia  de  moralidade,  vendo  a  sociedade  como  o  habitat  dessa  vida  moral,  pois  é  a  partir  dela que  os  grupos  se  organizam.  Assim,  a  moral  para  Durkheim  é  um  sistema de fatos realizados, ligados ao sistema total do mundo.  Abstract:  This  paper  discusses  the  issue  of  moral  in  Émile  Durkheim’s  work,  analyzing  briefly the concept of division of labor and arguing for the current relevance of the Father of Sociology’s contributions. More specifically, this paper analyses how the author builds  up the idea of morality, taking the society as the natural habitat of the moral life – where  the  groups  organize themselves  –  and  considering  the  moral  as a  system  of  carried  out  facts, connected to a worldwide system.  O porquê da utilização de um clássico como Durkheim 

A  importância  de  um  autor  como  Durkheim,  considerado  como  um  dos  clássicos  mais datados  na  Sociologia  (embora  isso  não  seja  um  consenso  nas  ciências  sociais),  poderia  ser  questionada  em  várias  instâncias,  como  por  exemplo,  pela  influência  que  teve do pensamento positivista que acreditava que pelo fato de as ciências sociais serem  orientadas para a pesquisa empírica não deveriam primar por textos escritos por autores  supostamente  “superados”.  Esse ceticismo  concernente  à  leitura  de  clássicos  nas  ciências  sociais  é  corrente,  principalmente  mediante  à  concepção  de  que  os  clássicos  deveriam ser lidos em termos estritamente historiográficos.  Como bem versa Jeffrey Alexander no texto A importância dos clássicos (1999),  “Um  clássico  é  o  resultado  do  primitivo  esforço  da  exploração  humana  que  goza  de  status privilegiado  em  face  da  exploração  contemporânea  no  mesmo  campo”  (ALEXANDER,  1999,  p.  24).  Assim,  uma  obra  clássica  é  capaz  de  estabelecer  critérios  básicos  em  sua  área  de  especialidade.  Todavia,  a  discussão  sobre  a  importância  dos  clássicos  nas  ciências  sociais  precisa  ser  ampliada  para  uma  discussão  em  nível  de diferenciação entre as ciências sociais e as ciências da natureza.  Na  tentativa  de  distinguir  a  essência  das  ciências  sociais  das  ciências  naturais  temos  que  nessas  últimas  o  termo  “clássico”  não  é  mais  utilizado,  mas  sim  “modelo”.  “Qualquer colegial sabe mais física que Galileu ou Newton”, diz um historiador da ciência  (GILISPIE  apud  ALEXANDER,  1999,  p.  08).  Isso  ocorre  pelo  fato  das  ciências  naturais
2  serem cumulativas. Todavia, correntes das ciências sociais como o positivismo tentaram  seguir  a  mesma  lógica  de  funcionamento  das  ciências  naturais,  acreditando  que  esses  dois  tipos  de  ciência  deveriam  ser  tratados  da  mesma  forma  e  que  a  importância  dada  aos  clássicos  nas  ciências  sociais  deveria  ser  eliminada  em  curto  prazo.  Um  defensor  dessa  perspectiva  foi Merton  (1947),  que  baseava­se  nas  leis  explicativas  e  no  conhecimento  empírico.  Para  o  autor,  já  que  a  acumulação  de  conhecimentos  ocorre,  não  haveria  razão  para  a  permanência  de  textos  clássicos.  Em  suas  palavras:  “As  mentes comuns podem resolver problemas, hoje, que os grandes cérebros antes sequer  conseguiam  começar  a  resolver” ...
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