Epoca medieval - a cidade de deus

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A Cidade de Deus

É uma das obras centrais da Filosofia da História da Igreja no Ocidente Medieval. Santo Agostinho escreveu-a entre 413 e 426 (lembremo-nos de que ele era bispo de Hipona desde 396). O motivo próximo que o animou à redacção deste livro foi o saque de Roma pelos Visigodos de Alarico em 410. Depois deste episódio, a cidade iria sofrer outros ataques; quando Agostinho morre, em430, os Vândalos estavam a cercar Hipona. Mas nenhum desses ataques impressionou tanto os que o viveram como o de 410. A história de sucesso quase contínuo de Roma e a expansão do Império até aos limites do “mundo conhecido” criaram a convicção de que Roma seria eterna; “quando Roma cair, acaba o mundo”, dizia-se (Quando cadet Roma, cadet mundus).
Todo o Mediterrâneo foi invadido por vagas derefugiados. No Norte de África, Agostinho organizou o acolhimento a muitos deles. Mas ao mesmo tempo que procurava resolver esses problemas imediatos, compreendia a necessidade de, como bispo cristão – e um dos mais prestigiados do tempo – dar uma resposta consistente às duras críticas que acusavam o cristianismo de ser o responsável pela grande desgraça que acontecera a Roma. Diziam essas críticas quea protecção dos deuses pagãos havia sido eficiente ao longo de toda a história romana, mas bastaram trinta anos de cristianismo como religião oficial (o Edito de Salónica, de 380, determinara isso mesmo), para a cidade ser invadida. Era também um aviso dos deuses pagãos, por muitos romanos terem deixado de lhes prestar culto. Enfim, uma religião que prega o amor entre todos os homens, que defendeuma postura pacifista e que aconselha a que se dê a outra face a quem nos agredir não pode ser a religião oficial de um império como o romano, e é uma receita evidente para o desastre. Nas margens orientais do Mediterrâneo, no deserto de Belém, S. Jerónimo ouvia as terríveis notícias do saque de Roma e assistia igualmente à chegada dos refugiados, mas reagia apenas com lamentações e súplicas aocéu.
Agostinho começa por responder com intervenções pontuais (sermões, cartas), mas cedo percebe que era necessária uma resposta mais estruturada. Em 413, começa então a redigir uma das obras da sua vida a Cidade de Deus (De Civitate Dei). Levará cerca de catorze anos a escrevê-la, só a concluindo em 426, portanto quatro anos antes de morrer. O que começou por ser a tentativa de responder àsacusações ao cristianismo devido ao saque de Roma de 410 tornou-se numa obra de maturidade, que condensa praticamente todo o seu percurso de vida, os seus profundos conhecimentos de história de Roma e de cultura e filosofia clássicas. A obra lida de frente quer com a herança da cultura antiga (os filósofos gregos e helenísticos ou os grandes estadistas e oradores romanos são citados com grandefamiliaridade) quer com o Império Romano como corpo político.
Os acontecimentos de 410 haviam posto em causa o mito de Roma, cidade eterna. Ora o sentido da História era, para os romanos, precisamente o do triunfo de Roma desde o nascimento até à expansão do Império. O saque dos Visigodos punha em causa essa crença. O grande desafio para Agostinho era portanto o de propor uma filosofia da História queincluísse evidentemente a história de Roma mas que fosse muito para além desta.
Em síntese, Agostinho serve-se da ideia bíblica do tempo para criar uma concepção linear da História, na qual o Deus cristão, o senhor dessa mesma História, utiliza os acontecimentos humanos para manifestar a sua revelação e expressar a sua vontade. Para o conseguir, Deus usa o povo escolhido, mas também todas as outrasnações.
A História começa com os seis dias da Criação. Os grandes momentos de viragem dessa História ocorrem quando Deus clarifica as suas relações com o Povo Escolhido:
1. A revelação aos patriarcas do Antigo Testamento (entre todos, Moisés);
2. A encarnação humana de Cristo e a sua criação da Igreja;
3. O Juízo Final e o fim da História; nesse momento cada um dos homens saberá...
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